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Weöres Sándor – Variáció

a hangok illata                            o aroma dos sons

az illatok íze                                o sabor dos aromas

az ízek színe                                a cor dos sabores

 

a színek hangja                           o som das cores

a hangok íze                                 o sabor dos sons

az ízek illata                                o aroma dos sabores

 

az illatok színe                            a cor dos aromas

a színek íze                                 o sabor das cores

az ízek hangja                            o som dos sabores

 

a hangok színe                           a cor dos sons

a színek illata                             o aroma das cores

az illatok hangja                        o som dos aromas

 

Sándor Weöres (1913 – 1989) é reconhecido hoje como o poeta mais universal na história da literatura húngara. Seu talento e domínio da língua, inigualáveis, lhe permitiram escrever e traduzir em todas formas possíveis da literatura húngara e mundial, e experimentar livremente com melodia, forma e conteúdo.

weores-sandor

Ele também se distingue de outros poetas pela sua filosofia metafísica e espiritualista. Sua inocência quase angélica, um frescor como de criança, aliavam-se no poeta a um intelecto curioso, irônico, travesso; há muitas histórias sobre seu humor efervescente, sua versatilidade e sua natureza visionária.

Seus poemas geralmente não incluem confissão personalista; ele não tinha interesse no self, mas antes em poderes universais humanos e cósmicos. Por outro lado, tinha uma grande habilidade para criar personas poéticas. Ele não tenta transmitir mensagem [no sentido de mensagem de um ‘programa’ extra-poético, especula este tradutor], apenas universalidade; isso fica comprovado pelo fato de ele ter sido sempre um favorito das crianças.

Weöres tratou do seu método poético na sua dissertação de doutorado, A vers születése (Nascimento do poema), que é, na verdade, uma meditação e uma confissão sobre sua prática de composição poética, e não um trabalho estritamente filológico. Ele descreve a maneira como, praticamente num transe, ele começa a “ouvir” o cerne do poema, que em seguida ele desenvolve e transforma em um todo coeso usando sua mente consciente. Como grandes poetas do Romantismo, ele também se considerava um instrumento de poderes externos: “Escrevi meus milhares de versos semi-acordado / em meio à fumaça de tabaco, nem sei como”. [Texto traduzido e adaptado do site hunlit.hu]

PS: Queridos amigos, é com alegria que volto aqui.  O poema acima e a tentativa de tradução que o acompanha estão na minha mente desde a feliz viagem – embora curta demais pro meu gosto, de apenas oito dias – de reencontro com Budapeste que fiz em janeiro deste ano, exatamente oito anos depois da última visita à Magyarország.

Descobri-o em um dos 3 volumes das obras completas de Weöres* que a gentil e querida senhora em cujo apartamento me hospedei através do AirBnB me emprestou enquanto estava lá, pois, como se tratava de  seu poeta mais querido, ela queria muito que eu o conhecesse melhor.

Mas confesso que escolhi este poema também pela relativa facilidade de tradução, e pensando em como ele seria um exemplo excepcional pra conversarmos um pouco sobre possessivos em magiar, o que pretendo fazer nos próximos dias num post subsequente, porque agora ficou meio tarde da noite. Grande abraço.

*[pronuncia-se /vörösh/ e o prenome é /sháándor/, que equivale a Alexandre, como a maioria de vocês já sabe]

 

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