Viszontlátásra. /Até outra vista.

Queridos amigos,

A partir de hoje este blog entra em recesso por tempo indefinido.

Neste momento da história não me sinto inclinado a escrever nada sobre a Hungria.

Por outro lado vou continuar lendo e amando as obras de autores de origem húngara, que produziram e ainda produzem uma das literaturas mais importantes da Europa, e vou continuar amando a estranha língua em que eles escreveram; às vezes, como no caso de Márai Sándor, muitos livros escritos no exílio, durante a vida do autor como refugiado em um país estrangeiro, destino de tantos e tantos milhares de outros filhos da Hungria, que formam a grande diáspora de língua magiar mundo afora; mas também – caso imensamente mais triste – livros escritos por grandes autores que foram aniquilados pela intolerância e o racismo de parte de seus próprios compatriotas em aliança com o pior que a Europa conheceu no século XX, como no caso de Szerb Antal, e Radnóti Miklós, para ficar apenas em dois dos meus mais conhecidos e favoritos, por que a lista dos intelectuais e artistas vítimas do nazi-facismo na Hungria é extensa demais pra caber num post de despedida.

Agradeço de coração a todos os amigos e amigas que durante estes anos  têm me honrado e alegrado com sua leitura, com seus comentários gentis, generosos e encorajadores, e com sua amizade.

Quem sabe voltemos a nos ver aqui mesmo em outro momento.

Não estou ‘matando’ o blog, o que já partilhamos aqui vai continuar disponível neste endereço, e eu continuarei atento a quem me procurar por aqui com alguma pergunta ou dúvida que esteja ao meu alcance esclarecer.

Um abraço fraterno,

Chico

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8 Comentários

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8 Respostas para “Viszontlátásra. /Até outra vista.

  1. Lia

    Oi, Chico!

    Vou sentir falta dos seus novos posts!
    Bem, eu voltei há poucas semanas de Szeged (justamente no epicentro de todos esses acontecimentos, ali pertinho da Sérvia) e vi muitos refugiados onde estive. Havia talvez uma “tensão silenciosa” no ar. Mas essas notícias de choques com a polícia, por exemplo, ainda não tinham sido noticiadas.

    Para mim é difícil falar de tantos momentos alegres que tive durante o curso quando ao mesmo tempo tudo isso estava acontecendo. Sinto-me dividida e entendo sua decisão. Ainda quero escrever um pouco sobre o curso para dar dicas a outros brasileiros que se interessam pelo idioma.
    Espero que venham dias melhores e os ventos húngaros voltem a soprar novidades de cultura, idioma, comida e essas coisas boas que a comunidade do blog conhece.

    Viszlát!
    Lia

  2. Guilherme Cintra

    Grande Chico! Por coincidência, hoje arrisquei minha primeira tradução húngara: “Ensinamentos do Rei Santo Estevão ao seu filho, Príncipe Imre, sobre como tratar os estrangeiros”. Tem muito a ver com a atual conjuntura sombria na qual está mergulhando o velho mundo. Aquele abraço!

    VI. Sobre a Recepção e o Cuidado com os Hóspedes
    Os hóspedes e os estrangeiros são fonte de tamanho prestígio que costuma-se alocá-los na sexta posição entre os altos estamentos da realeza. Assim se expandiu em seus primórdios o império romano e assim passaram a ser endeusados e admirados os seus imperadores, com o acolhimento de indivíduos sábios e cultos vindos dos mais diversos lugares. Roma certamente ainda seria escrava se os descendentes de Eneias não a tivessem libertado. Vindos de terras e províncias diversas, os hóspedes trazem consigo línguas e costumes diferentes, novos exemplos e armas ainda não conhecidas, e tudo isso embeleza o país, eleva o brilho da corte e desencoraja a tirania de outros povos. Pois fraco e decadente é o país de uma só língua e de poucos e restritos costumes. Diante disso, ordeno que você, meu filho, recebas e cuides com boa vontade dos estrangeiros, para que eles se sintam bem ao teu redor, como se sequer pertencessem a outro lugar. Se quiseres, no entanto, demolir tudo aquilo que construí, ou arruinar tudo aquilo que realizei, sem sombra de dúvidas causarias grande sofrimento ao teu país. Para que isso não aconteça, trates de engrandecer dia após dia o teu país, de modo que as pessoas tenham sempre a maior admiração pela tua coroa.

    Original: http://mek.oszk.hu/00200/00249/00249.htm

    • Chico Moreira Guedes

      Guilherme, amigo, que belo texto, e tão a propósito. Muito obrigado por partilhá-lo.
      Ele casa muito bem com o espírito do meu post de despedida.
      Grande abraço,
      Chico

    • Chico Moreira Guedes

      Me ocorre uma imagem para reflexão: Se os antigos eslavos habitantes da Bacia dos Cárpatos tivessem defendido militarmente e colocado uma cerca bem alta na Passagem de Verecke, talvez Magyarország nem sequer teria existido.

      • elisabeth Varga

        Chico devo responder para as suas palavras, se lembrasse das palavras que eu já escrevi sobre esta época ,devia lembrar que houve muita resistência e muita luta para que os húngaros possam ocupar a terra dos eslavos mil e cem anos atras. E que naquela época ainda não existirem estas cercas altas !
        Agora comparando esta época de descobrimento do pais para o povo húngaro ! Você devia lembrar de que maneira o Brasil de hoje conseguiu a ocupação da terra atual dos brasileiros.
        Era bastante infeliz a sua mensagem que fere a alma húngara. nem a tradução de Guilherme nem a sua era possível de comparação com a situação atual que se rola na Europa toda.
        .

  3. Vilma Godoy Wady

    Prezado Chico,
    nesse momento tão triste , nossos pensamentos voam e vão de encontro a muitos que, como nós, sofremos com tudo isso a que temos assistido com tanta decepção e tristeza! Por ora também estou afastada de tudo que me relaciona ao pais de origem dos meus antepassados…muito triste! Essa reflexão a respeito da existência de Magyarország é perfeita. Você tem toda a minha admiração, respeito e apoio.Grande abraço.

  4. Zoltan

    Kedves Chico,
    a google fordító segítségével olvasgattam az oldalt, mert nem tudok portugálul (pedig gyönyörű nyelv). Megtennéd, hogy megírod angolul (vagy magyarul) miért fejezted be a blogot? (noha nagyjából összeállt a kép)
    köszönettel,
    Zoltán

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