diversos + romkocsmák / bares-ruínas

as fotos que ilustram este post foram cedidas gentilmente por http://www.silvioseverino.com

Faz semanas que estou “num pé e noutro”, como se diz aqui no Nordeste, pra retomar o blog. De uma hora pra outra pra onde quer que eu me virasse dava de cara com alguma coisa ligada a Budapeste e à Hungria em geral. Mas, com várias “distrações urgentes” acontecendo, só agora consegui aparecer.

Começou com umas dicas de Budapeste que preparei para Ana Oliveira e Carmem Silvia, amigas de twitter e grandes viajeiras, que estavam prestes a fazer o giro “Europa Central”, incluindo 3 dias na bela főváros /föö-váárósh/ (capital) magiar.

A saudade de repente apertou mais ainda quando um comentário aqui no blog me pôs em contato com um fotógrafo gaúcho com o belo nome de Silvio Severino, que mora atualmente em Budapeste, e cujo trabalho primoroso (inclusive uma seção dedicada à cidade) pode ser conferido aqui.

Atento explorador dos meandros budanos e pestenses, Silvio Severino me passou ótimas dicas de novidades via facebook, inclusive um site que reúne os romkocsmák de Budapeste. Kocsma /côtchmó/ quer dizer bar, boteco, kocsmák /côtchmáák/, como alguns devem ter deduzido pelo k, é o plural; e rom (com o r enrolado de ‘caro’, e m com lábios fechados no final, com se fosse dizer Roma e parasse antes do a) quer dizer, ruína, destroços, escombros.

salão do Csendes /tchéndesh/, que quer dizer silencioso, calado, tranquilo...


Os romkocsmák são, portanto, “bares-ruínas”, uma “instituição” húngara particularíssima, criação de jovens empreendedores, que aproveitam velhos edifícios, fábricas e/ou armazéns deteriorados durante os anos do “socialismo científico” e os transformam em bares e/ou restaurantes alternativos, aproveitando móveis velhos, tralha de todo tipo (até carcaça de carro velho), mas também arte contemporânea, iluminação bem-transada, grafitti, etc, criando assim espaços muito eloquentes arquitetonicamente, porque integram vários momentos e aspectos da história da cidade, sem tentar maquiar o passado, ou criar pastiches à la Disneylândia ou Las Vegas, exemplos horrorosos e extremos que me ocorrem agora.

Fachada do Szimpla Kert

Descobri através do site que hoje eles são em muito maior número do que os que conheci minha última estadia em Budapeste. Quem tiver curiosidade, confira aqui. Há uma versão ininglish, como verão.

Claro que alguns deles já viraram point turístico, e atraem não só público dito alternativo, mas visitantes de todos os tipos em busca de exotismo centroeuropeu. É o caso do Szimpla Kert e do Corvin Tető, por exemplo. Mas eles são espaços tão-tão bacanas que continuam merecendo nossas visitas.

Tenho outras coisas fervendo na cabeça sobre as quais quero escrever, novas descobertas no cinema húngaro, por exemplo. Além, claro, do prometida continuação do post anterior, sobre József Attila e o Tiszta Szívvel. Já adianto que esse poema causou sua expulsão da Universidade de Szeged. Mais detalhes depois. Sziasztok!

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8 Comentários

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8 Respostas para “diversos + romkocsmák / bares-ruínas

  1. Bom que você voltou, Chico!
    Me sinto um pouco “madrinha” desse retorno.
    E por falar em regorno, vou ter que voltar a Budapeste pra conferir mais essa dica.

    • Chico Moreira Guedes

      quem sabe da próxima a gente não se encontra lá e faz uma maratoninha de reconhecimento das ruínas etílicas mais relevantes? risos

  2. Helio

    Kedvez Chico,

    Köszönöm szépen por mais este post!

    Este fim de semana eu tinha terminado de ler todos os posts do hungaromania e fui surpreendido hoje com mais este.

    Estou usando uma caderneta para anotar todas as palavras novas que aparecem aqui. Além de estar tomando contato com uma variedade de palavras da magyar nyelv, ainda “de quebra” estou aprendendo sobre história, literatura e música da Hungria entre outras coisas. Quantos tesouros estavam fora do meu alcance!

    Nestes dias estou lendo “Os meninos da rua Paulo”, e já encomendei uma revista que tem algumas traduções de poetas húngaros (a referencia a ela está em um dos posts). Eu já tinha lido algumas coisas do Rónai Pal (Como aprendi o português e outras aventuras, Babel e Antibabel, e os de latim), agora vou atrás de muito mais vindo da e sobre a Hungria.

    Estou ansioso para o dia 01/10 (dia em que chego em Budapest), como fico apenas 3 dias (saio de lá 03/10) tenho que aproveitar a chance para ir na Írók Boltja e torcer que tenham dicionário e gramática em português (do jeito que gosto de livros, acho que vai ser mais do que isto), além, é claro, de aproveitar as dicas que você me mandou.

    Estou muito agradecido por ter encontrado teu blog.

    Viszlát!
    Hélio

    • Chico Moreira Guedes

      Kedves Hélio, fico até encabulado de vc dizer que leu todas as maluquices que eu escrevi aqui nestes últimos 3 anos!
      Não sei o que está achando até agora, mas “A Pál utcai fiúk” (fia ou fiú = menino, guri, rapaz; fiúk, o plural) é um verdadeiro clássico, que dá vontade de ler muitas vezes na vida, tão rico de humanidade que é.
      Muito bom também é a Antologia do Conto Húngaro, que Rónai traduziu mais ou menos na mesma época, e que tem uma edição mais recente da Topbooks, como vc deve ter lido aqui num dos posts. E que além disso tem o maravilhoso texto de Guimarães Rosa sobre os magiares e sua língua.
      Há uma outra antologia, um pouco menor, que saiu pela HEDRA no ano passado, com 10 contos traduzidos por Paulo Schiller que também é excelente. (estou devendo há tempos um post sobre ela).
      Dicionário “Magyar-Portugál” e vice-versa você vai encontrar sim, de bolso e médios, mas se encontrar gramática do magiar em língua portuguesa vai ser uma grande novidade pra mim.
      Még egyszer /mêêg édjssér/ (mais uma vez) köszönöm pela sua atenção e paciência e apreciação pelo o blog.
      Üdvözlettel (= com saudações)

      • Helio

        Kedves Chico!

        Encabulado??? Se o que você escreveu são maluquices, então pertencemos ao mesmo tipo de hospício, pois eu já estou planejando reler.

        Estou terminando o livro “A Pál utcai fiúk” (bem que eu gostaria poder lê-lo no original) e estou gostando muito. Se na Írók Boltja tiver o original, vou comprá-lo para me aventurar a aprender um pouco mais.

        Ontem comprei os livros que você cita na resposta acima e também peguei 3 livros do Márai Sándor (As Brasas, O Legado de Eszter, Divórcio em Buda) assim vou mergulhando devagarinho na literatura magyar.

        É claro que quando você lançar a sua Antologia vou fazer questão de a ler.

        Agora vou ver como está o Nemecsek, estou preocupado com a febre dele.

        Viszlát!
        Helio

  3. Chico Moreira Guedes

    Kedves Hélio,
    mais uma vez obrigado pelas palavras gentis.
    ótima aquisição, esses de Márai; gosto MUITO dos 2 primeiros e menos do 3º.
    üdv.
    Chico

  4. Eduardo

    adorei todos os post da hungaromania, e aproveito todos para visitar a escola de samba Rosas de Ouro em SP , que terá como enredo o povo hungaro, narrativa a ser contada por Roberto Justus descendente Hungaro

    A Sociedade Rosas de Ouro, no ano do seu aniversário de 40 anos, se inspira na história da Hungria, uma lendária terra de reis, guerreiros e justos para contar a saga de bravos homens que acreditaram em seus sonhos e que lutaram por justiça e liberdade.

    • Chico Moreira Guedes

      Olá, Eduardo, obrigado pela visita e pelo elogio.
      Que boa notícia você nos dá! Já estou curioso pra ver o carnaval da Rosa de Ouro; e se o HungriaMania puder ajudar em alguma coisa isso me deixará muito contente. Boa sorte com o enredo.
      abraços

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