Arquivo do mês: agosto 2011

uma piada magyar / egy magyar vicc

Uma das coisas que recebi de Silvio Severino, sobre quem falei no post anterior, foi esta ótima piada, que é visual e ao mesmo tempo totalmente dependente da língua magyar:

Como você, leitor esperto – ainda que não versado nos segredos do magyar – já deve ter percebido, a chave da piada, que brinca com o nome do pintor famoso, está nas palavras van e nincs, já que o Gogh permanece nos dois quadros.

Pois é. Van /vonn/ é talvez a forma verbal mais utilizada na língua magiar, e uma das suas funções mais corriqueiras e insubstituíveis é afirmar ou perguntar se há, se existe, ou, no português brasileiro mais comum, se tem alguma coisa. Ao entrar numa loja na Hungria, por exemplo, o equivalente a um “Tem pão?” seria Van kenyér? /vonn kénhiêêr/. E se a resposta for positiva a pessoa da loja dirá apenas Van, ‘Tem’, ou então, Igen, van /iguenn vonn/,’Sim, tem’.

E se a brincadeira de transformar o Van de Van Gogh em ‘Tem’ no primeiro quadro ficou clara, então se deduz, pois não, que no segundo quadro Nincs Gogh significa ‘Não tem Gogh’. E, de fato, nincs /nintch/ – ou, muito provavelmente, a variante nincsen – vai ser a resposta do nosso vendedor se não houver pão na loja. Mais polidamente ele poderá dizer nincsen, sajnos /nintch shóinósh/, ‘infelizmente, não tem’.

Vou parar por aqui hoje porque é tarde da noite e tenho sono. Mas o van e seus usos merecem bem mais do que isso. Quem sabe amanhã mesmo voltarei aqui pra falar mais disso. Viszlát!

PS: O título do post se pronuncia /édj módjór ví-ts/. O hífen marca uma sutil pausa, por causa da consoante dupla no final, como o italianos fazem ao dizerem /pi-tsa/.

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diversos + romkocsmák / bares-ruínas

as fotos que ilustram este post foram cedidas gentilmente por http://www.silvioseverino.com

Faz semanas que estou “num pé e noutro”, como se diz aqui no Nordeste, pra retomar o blog. De uma hora pra outra pra onde quer que eu me virasse dava de cara com alguma coisa ligada a Budapeste e à Hungria em geral. Mas, com várias “distrações urgentes” acontecendo, só agora consegui aparecer.

Começou com umas dicas de Budapeste que preparei para Ana Oliveira e Carmem Silvia, amigas de twitter e grandes viajeiras, que estavam prestes a fazer o giro “Europa Central”, incluindo 3 dias na bela főváros /föö-váárósh/ (capital) magiar.

A saudade de repente apertou mais ainda quando um comentário aqui no blog me pôs em contato com um fotógrafo gaúcho com o belo nome de Silvio Severino, que mora atualmente em Budapeste, e cujo trabalho primoroso (inclusive uma seção dedicada à cidade) pode ser conferido aqui.

Atento explorador dos meandros budanos e pestenses, Silvio Severino me passou ótimas dicas de novidades via facebook, inclusive um site que reúne os romkocsmák de Budapeste. Kocsma /côtchmó/ quer dizer bar, boteco, kocsmák /côtchmáák/, como alguns devem ter deduzido pelo k, é o plural; e rom (com o r enrolado de ‘caro’, e m com lábios fechados no final, com se fosse dizer Roma e parasse antes do a) quer dizer, ruína, destroços, escombros.

salão do Csendes /tchéndesh/, que quer dizer silencioso, calado, tranquilo...


Os romkocsmák são, portanto, “bares-ruínas”, uma “instituição” húngara particularíssima, criação de jovens empreendedores, que aproveitam velhos edifícios, fábricas e/ou armazéns deteriorados durante os anos do “socialismo científico” e os transformam em bares e/ou restaurantes alternativos, aproveitando móveis velhos, tralha de todo tipo (até carcaça de carro velho), mas também arte contemporânea, iluminação bem-transada, grafitti, etc, criando assim espaços muito eloquentes arquitetonicamente, porque integram vários momentos e aspectos da história da cidade, sem tentar maquiar o passado, ou criar pastiches à la Disneylândia ou Las Vegas, exemplos horrorosos e extremos que me ocorrem agora.

Fachada do Szimpla Kert

Descobri através do site que hoje eles são em muito maior número do que os que conheci minha última estadia em Budapeste. Quem tiver curiosidade, confira aqui. Há uma versão ininglish, como verão.

Claro que alguns deles já viraram point turístico, e atraem não só público dito alternativo, mas visitantes de todos os tipos em busca de exotismo centroeuropeu. É o caso do Szimpla Kert e do Corvin Tető, por exemplo. Mas eles são espaços tão-tão bacanas que continuam merecendo nossas visitas.

Tenho outras coisas fervendo na cabeça sobre as quais quero escrever, novas descobertas no cinema húngaro, por exemplo. Além, claro, do prometida continuação do post anterior, sobre József Attila e o Tiszta Szívvel. Já adianto que esse poema causou sua expulsão da Universidade de Szeged. Mais detalhes depois. Sziasztok!

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