Arquivo do mês: abril 2009

O rege* de Hunor e Magyar…

hunor-es-magyar
* Rege significa, saga, lenda, mito, e como o g em magyar tem sempre o som do g de galo, a pronúncia é /régué/ (com o r de caipira paulista), o que torna a palavra parecida com reggae, dito em português. Essa homofonia vem a calhar aqui no post, como o leitor perceberá, remélem /rémêêlem/ (espero).

Há consenso entre os historiadores de que os húngaros vieram bater na Bacia dos Cárpatos no final do século 9 da era cristã. A tradição reza que em torno de 895 sete tribos magiares comandadas pelo guerreiro e chefe de clã Árpád, e acompanhados de grupos de Cumanos e da tribos eslávica oriental do Rusnaks, cruzaram as estreitas gargantas, Vereckei a mais famosa, na crista nordeste (e provavelmente no leste também) das grandes serras carpáticas e ocuparam suas encostas ocidentais e a grande planície fértil. Estariam fugindo às pressas de ataques dos ferozes Pechenegs à sua morada anterior, uma área hoje ocupada pela Moldova, margem oeste do Mar Negro, a norte do Delta do Danúbio, nalgum lugar ao longo do rio Dnister.
Séculos já haviam corrido, no entanto, entre a saída desse povo nômade das suas origens nas estepes urálicas, bem pra lá do Mar de Aral, até essa fuga que os lançou com seus cavalos ágeis e suas flexas certeiras no coração da Europa. Fala-se em cinco séculos, pelo menos. E o que rolou ao longo dessa marcha secular oeste-sudoeste era, podemos supor, material de muitas lendas e relatos orais.

batismo de Vajk, de Benczúr Gyula (1844-1920)

batismo de Vajk, de Benczúr Gyula (1844-1920)

Acontece que a maior parte dessa tradição oral começou a se perder quando um chefe guerreiro chamado Vajk /vóik/ (que significava herói ou líder), descendente direto de Árpád, se fez batizar como Stephanos, István /íshtváán/, em magiar, e foi coroado como primeiro király /kírái/ (rei) cristão dos magiares no ano 1000 pelo papa Silvestre II. No esforço para transformar seus súditos pagãos shamanistas em bons cristãos e integrar sua nação à civilização européia, István Király e a Igreja Romana forçaram o “esquecimento” dos mitos e relatos que a memória popular e os bardos magiares guardavam da longa viagem. Não por acaso István foi depois canonizado, e é conhecido na Hungria como Szent István Király, Santo Rei István.
Arany János

Arany János

Mas sempre escapa alguma coisa pelas brechas, e os mitos se renovam de acordo com as circunstâncias históricas. Um dos mitos recriados é o que dá conta dum suposto parentesco entre os magiares e os hunos. Sem qualquer fundamento histórico confiável, é bom dizer, ele foi reforçado no século 19, muito ao gosto do Romantismo, por uma célebre balada do poeta Arány János (1817-1882), Rege a csoda-szarvasról /regue ó tchôdó-sórvóshrôôl/, Lenda do cervo encantado, sexto canto do longo poema Buda halála, a Morte de Buda.

De acordo com a lenda, dois nobres irmãos, Hunor e Magyar, partem com seu séquito de Navilah, terra dos seus pais Ménrót e Enéh, para fazer uma caçada. Começam a seguir um belo e misterioso cervo sem conseguir abatê-lo, e nessa perseguição, que dura a duração das lendas e abunda em peripécias, chegam afinal ao Mar de Azov e se estabelecem numa pequena ilha.
arany-csodaszarvasAí o cervo some de cena, e os bravos Hunor e Magyar agora aventuram-se noutra caçada pelas redondezas durante a qual ouvem uma música distante. Ao se aproximarem encontram um grupo de donzelas desguarnecidas e, como era hábito corriqueiro então, tratam logo de as raptar. As duas mais belas são, naturalmente, escolhidas pelos irmãos para esposas. Hunor com sua nova consorte e amigos segue para a Cítia, hoje região em torno da Criméia, e lá dão origem à nação dos hunos. Magyar, por seu turno, leva sua esposa mais sua turma para a região do rio Don, onde tratam de crescer e se multiplicar dando origem à nação magiar.

Essa lenda renitente explica, por exemplo, porque Attila é um dos nomes mais populares na Hungria até hoje.

E que ela continua viva e dando o que falar a gente pode ver no suingado clip do Sub Bass Monster. A letra do rege rapeado ironiza de cara o mito e o desenraizamento dos magiares, manda o cervo correr (szaladj, szaladj) que no encalço dele vem um csapat (bando) “que não sabe mais nem onde fica a própria casa”. E brinca também com os primeiros versos da balada de Arany János “Voa o pássaro de galho em galho,/ Voa a canção de boca em boca” (Száll a madár, ágrul ágra,/ Száll az ének, szájrul szájra), dizendo que a lenda “se espalhou de boca em boca como a herpes”, e por aí segue, desconstruíndo a rege (lenda) com o rege (reggae).

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De kocsi e de aglutinações magiares

Mátyás Király (Rei Matias)

Mátyás Király (Rei Matias)

Uma piaba de cultura inútil que acabei de pescar lendo um trecho do A history of Hungarian literature, do professor Cigány Lóránt, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Sabem a palavra coche, com sentido de carruagem, que herdamos possivelmente do francês ou do espanhol coche, e que no inglês se usa até hoje na forma coach pra designar, além de carruagem, vagão de trem e, no caso do Reino Unido, um ônibus confortável de um piso só usado para viagens mais longas, em oposição a bus, ônibus urbano, e até a classe econômica nos aviões (coach class)? (Ufa!)
kocsi das antigas

kocsi das antigas

Pois bem, ela se origina de um pequeno povoado húngaro medieval chamado Kocs (pron. “kótsh”), onde, no reinado de Korvinus Mátyás (1458-1490), grande introdutor do Renascimento na corte de Buda, começaram a fabricar uma carruagem com suspensão de mola de aço que ficou famosa em toda a Europa, o ‘kocsi szekér’, carroça de kocsi.
Como já vimos em outras ocasiões, inclusive no conto Károly, de Bartis Attila, coloca-se um ‘i’ final pra designar origem, daí Kocs+i = kocsi = de Kocs, proveniente de Kocs, ou ‘kocsense’. Hoje kocsi é uma das palavras para automóvel em húngaro, além de dizer vagão de trem também. A outra é autó (pron. “a-u-tôô”, com hiato ‘a-u’).
Trabi descansando no jardim do Museu Vasarely, Óbuda.

Impávido sobrevivente do antigo regime descansando no jardim do Museu Vasarely, Óbuda.

E essa história de meio de transporte serve pra ilustrar uma das características importantes da língua magiar, sua natureza aglutinativa, isto é, o aglutinar sufixos vários às raízes das palavras, diferentemente de nós, falantes do tronco indo-europeu, que temos preposições, conjunções, possessivos etc, sempre como palavras separadas.
Vamos a um exemplo pra entender isso melhor: em português dizemos “vou de carro para Recife”, onde de e para são palavras autônomas, digamos. Já em magiar se diz kocsival megyek Recife-be, onde -val é o sufixo correspondente a com, portanto kocsival = com carro e -be corresponde a para (no sentido de destino), daí Recife-be = para Recife. Megyek = vou (pron. “medyek”, com o dye meio molhado, quase como dje). O hífen costuma ser usado, como em ‘Recife-be’, quando se trata de palavra estrangeira. Com Debrecen, a cidade húngara aonde morei, por exemplo, seria megyek Debrecenbe (=vou pra Debrecen), sem hífen.
Trabi forevá!! Legenda no site de um devoto do Trabant cult

Trabi forevá!! Legenda no site de um devoto do Trabant cult

E os sufixos vão se acumulando de acordo com a necessidade. Vai que eu diga: “vou pra Recife no meu carro”. Bom ‘meu carro’ é kocsim, onde o ‘m’ marca a posse da primeira pessoa, daí, por exemplo, blogom = meu blog, barátom = meu amigo (barát = amigo, pron. “boráát”), etc. Então teremos em húngaro: kocsimmal megyek Recife-be, com kocsi+m+val, ou seja, dois sufixos uma depois do outro. É como se disséssemos em português: carromeucom vou Recifepara; legal, né não?
Fiat Sedici/Suzuki SX4 made in Esztergom, Hungria

Fiat Sedici/Suzuki SX4 made in Esztergom, Hungria

E por que kocsimmal, e não kocsimval? Isso é um detalhe curioso: o -val (ou a variante -vel, a escolha da variante é assunto pra outro post) é usado quando a palavra termina em vogal. Se o final for consoante, então dobra-se a consoante no lugar do ‘v’. Daí “com meu amigo” = barátommal (pron. Bo-ráá-tom-mól). E, atenção, toda consoante dobrada em magiar é dita com uma leve pausa no meio, o que, aliás, acontece também no italiano. Os italianos não comem pitsa, comem pi-tsa.
Taí uma pequena introdução à natureza aglutinativa da magyar nyelv (nyelv = língua, pron. “nhélv”, som que a mim lembra mesmo uma lambida). Depois vem mais…

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Költészet napja: dia da poesia na Hungria

Kopogtatás Nékül (sem bater à porta), obra de Janet Brooks Gerloff inspirada em poema de József Atila. Szépművészeti Muzeum, Budapeste.

Kopogtatás Nékül (sem bater à porta), obra de Janet Brooks Gerloff inspirada em poema de József Atila. Szépművészeti Muzeum, Budapeste.

Em 11 de abril de 1905 nascia József Attila. E desde 1964, além do aniversário do grande poeta, os húngaros comemoram também o Költészet Napja, o Dia da Poesia (költészet = poesia + nap = dia, e sol também, o “ja” no final de nap marca a coisa “possuída”, pois o dia é “da” poesia, funciona assim: Poesia dia-da).

Muitos eventos acontecem pelo país afora em teatros e praças. E pessoas comuns amantes da poesia depositam flores nos monumentos a József Attila que há em toda cidade húngara. Estava em Budapeste no ano passado e me emocionei vendo, surpreso, essa manifestação espontânea de amor ao seu magyar költő (bardo, poeta), o gênio poético de origem proletária.

Recebi de Balogh Robert, jovem escritor e agitador cultural em Pécs (pron, Pêêtch), cidade importante do sul da Hungria, sede de uma grande universidade, este cartaz do Festival Pré-Dia da Poesia, que ele organizou e que rolou ontem, como podem ver. Robert é também editor do bom site de cultura e literatura terasz.hu.
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A princípio não tinha me tocado do que significa o número 0410 no cartaz, mas como bem lembrou Napsugár (=Raio de sol) no comentário, trata-se da data de ontem na ordem que os húngaros usam, április 10.

Para marcar o dia deixo aqui uma tradução que arrisquei um mês e pouco atrás de um poema de Kosztolányi Dezső (1885 – 1936), poeta e contista exepcional, romancista, tradutor, crítico literário, editor da célebre revista literária Nyugat (Ocidente), enfim, um intelectual de enorme importância na vida cultural magiar da primeira metade do século passado. Não se enganem com seu jeito de dândi na foto, havia muito estofo por trás da cara marota.

Kosztolányi Dezső

Kosztolányi Dezső

Em magiar o poema se chama Boldog, szomorú dal (Feliz, triste canção), e fala por si. O nome do poeta se pronuncia “Kostoláánhi Déjêôê” com o “eu” do francês, sendo mais longo, no final.

FELIZ, TRISTE CANÇÃO
Kosztolányi Dezső

Tenho meu pão, vinho também tenho,
tenho meu filho e minha mulher.
Por que então afligir meu coração?
Sempre sobra dos meus mantimentos.
Tenho jardim, e as árvores inclinadas
do jardim sussurram quando passo,
e lá dentro a despensa geme
sob a carga de tantas amêndoas.
Lençóis decentes tenho também,
meu telefone, mala de viagem;
sincera benevolência me oferecem
sem que eu precise suplicar favores.
Não há mais a imagem-névoa de outrora,
embriaguês de névoa e de lágrimas,
às vezes quando vou saudar alguém,
já adiantam-se e me saúdam antes.
Tenho luz elétrica, luzes brilhantes,
minha cigarreira é prata de lei,
caneta e lápis me correm leves,
em minha boca fumeia velha pipa.
Há banho para refrescar meu corpo,
chá morno pros meus nervos lassos,
se ando de ônibus em Budapeste,
não me tomam de todo por estranho.
O que canto, esse desconsolo,
não banha em lágrimas um rosto apenas,
e como jovem filho cantor seu
a velha Hungria já me consagrou.
Mas às vezes paro no meio da noite,
atormentado, afundando em morte,
cavando fundo procuro o tesouro,
o tesouro, o antigo, o ocultado,
como alguém despertado em febre,
tartamudeio desnorteado,
e minha mão tateando busca
o que, ai de mim, eu quis um dia.
Mas já não há o tesouro que busquei,
tesouro por que ardi até as cinzas.
Pois se cá neste mundo estou em casa,
no céu já me tornei estranho.
[1917]

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Budapeste, o filme

Saiu o trailer oficial do Filme de Walter Carvalho baseado em Budapeste, o romance de Chico Buarque. Tenho que confessar que não consegui passar da metade do livro, que não me conveceu literariamente. Mesmo assim estou muito curioso pra ver o filme e, pelo trailer, sei que vou sentir muitas saudades de Budapeste. Aliás, desconfio que a combinação num filme só de Rio e Budapeste, meus dois urbiamores, vai dar em choro na certa pra mim.

A tomada inicial é feita de Buda, descendo o bondinho do plano inclinado que leva ao Budavár, o Castelo de Buda, e olhando pra Peste com a Lánchíd, Ponte das Correntes (lánc = cadeia, grilhão, corrente + híd = ponte. Pron. láánts-hííd) à frente.

Notem a cena em que eles conversam numa livraria. Foi filmada na Írók Boltja, a livraria que foi tema doutro post. E depois dessa cena eles aparecem correndo pela calçada da Andrássy út, num trecho onde eu bati muita perna, entre a Írok Boltja e a filial Andrássy da Alexandra, uma cadeia de livrarias importante de Budapeste, e que tem um café bem simpático.

É bem engraçado também ouvir o samba cantado em magiar. Prestem atenção no primeiro trecho do samba, quando vai surgindo o título grande: BUDAPESTE. As ultimas palavras são hideg sört, cerveja gelada.

A propósito, quem me chamou a atenção pra esse trailer foi meu amigão Edu Seabra, que mora em Budapeste e mantem um blog chamado Megvilágosodás, autoiluminação, no sentido espiritual, de Nirvana. A raiz da palavra é világ, que significa ao mesmo tempo”luz” e “mundo”, o que eu acho uma relação fascinante. Világos é “claro”, contrário de escuro, megvilágosít é iluminar, transitivo, e megvilágosodik é iluminar-se, encher-se de luz, daí vem megvilágosodás, o substantivo. E o meg? Bem, meg é chamada no jargão linguístico de “partícula perfectiva”, e em geral é usada junto dos verbos pra indicar a realização efetiva da ação, mas isso não é toda a história dessa palavrinha, cujo uso perfeito é um segredo bem guardado dos falantes nativos do magiar.

O link pro Megvilágosodás de Edu Seabra consta da minha lista de links, aí ao lado.

Ah, uma novidade bem legal: o Conselheiro da área Cultural da Embaixada da Hungria no Brasil, sr. Dudás Mihály gentilmente incluiu o HungriaMania numa lista de links brasileiros sobre a Hungria no site da Embaixada. Fiquei muito honrando e contente. Quem quiser conferir tá no http://www.mfa.gov.hu/kulkepviselet/BR/pt/br_info/brasileiros_sobre_a_hungria.htm

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Kodály Zoltán, mestre da música

Este post é oferecido ao grande João da Mata Costa, que outro dia no Substantivo Plural (http://www.substantivoplural.com.br/) me deu o mote pra tratar das duas almas musicais magiares mais célebres, Kodály e Bártok.

Quem tem alguma ligação com música clássica certamente já ouviu falar de Kodály Zoltán, ou pelo menos do método de aprendizagem de música que leva seu nome. Quando João chamou a minha atenção, eu me dei conta de que conhecia pouquíssimo sobre a música de Kodály, apesar das minhas idas e vindas à Hungria, e de considerável exposição à musica clássica na época em que vivi lá.

Kodály regendo de pijamas?

Kodály regendo de pijamas?

Primeira coisa: a pronúncia húngara do nome é “Kódááy”, ou “Kódáái”, porque embora a letra húngara ly corresponda mais ou menos ao nosso lh, sendo que um pouco menos “molhado”, mais perto do “moyiado” dos nossos matutos, quando ela aparece no final da palavra vira mesmo um “y”, ou “i”. Portanto a pronúncia que se conhece, “Kodáli”, é uma invenção de estrangeiros que não conhecem os sons do magiar. E como estamos falando de um grande mestre magiar dos sons, acho que vale a pena aprender a pronunciar seu nome corretamente, certo?

Kodály nasceu em 1882 em Kecskemét (pron. “Kétch-ké-mêêt”), a bela capital do condado de Bács-Kiskun (de lindo som sincopado: “batch-kish-kunn”), 86 km a sudeste de Budapeste, no coração do Dél-Alföld magiar, a parte Sul (Dél) da grande planície húngara de que já falamos noutra ocasião. Mas de lá partiu cedo, foi estudar em Galanta e Nagyszombat, ambas hoje pertencentes à Eslováquia, e terminou em Budapeste, na Liszt Ferenc Zeneakadémia, Academia de Música Franz Liszt, o destino dos bons, de onde se tornou professor em 1907.

interior do Teatro Katona József, Kecskemét

interior do Teatro Katona József, Kecskemét

No final das contas Kodály ficou muito conhecido também pela sua contribuição à etnomusicologia, com uma pesquisa sistemática das formas musicais populares da Hungria, da Bacia dos Cárpatos em geral e dos Bálcãs, que em muito influenciaram e inspiraram suas composições eruditas, como poderão constatar adiante. Nesse trabalho, percorrendo pequenas vilas e povoados da Hungria e Romênia ele foi acompanhado de seu amigo Bartók Béla (1881-1945). Sua permanencia em Budapeste durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade sofreu enormente com a destruição causada pelos nazistas em retirada, foi vista como um ato de genuíno patriotismo. Ao morrer, em março de 1967, Kodály já era considerado um herói nacional, e tornara-se uma figura central da vida musical e intelectual magiar.

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Quanto ao conhecido Método Kodály de ensino de música, na verdade não foi sistematizado pelo pelo próprio maestro, embora tenha sido inspirado nas suas idéias sobre educação. Kodály defendia que a música tinha que fazer parte da educação integral ser humano desde o jardim de infância, com o mesmo número de horas e mesma ênfase dada às matérias convencionais durante todo a vida escolar dos jovens cidadãos.

Kodály e Bartók em 1908

Kodály e Bartók em 1908

Há muita informação disponível sobre o mestre Kodály na internet, inclusive em português. Proponho que, sem mais delongas, escutemos alguma coisa do que ele compôs. Começando com a assombrosa Sonata para Violoncelo Solo op,08, na interpretação visceral e de Starker János (1924), húngaro de nascimento, e desde 1958 professor da Indiana University Jacobs School of Music.
Pra mim há um universo fabuloso de referências populares e eruditas nessa Sonata, chego a ouvir até violas e rabecas dos nossos cantadores. Escutem os três movimentos, sobretudo o terceiro, e digam-me se estou delirando…

Nota sobre vocabulário musical húngaro. Uma das coisas que me fascinaram na Hungria é que no geral eles não adotaram nem adaptaram o vocabulário internacional para as coisas de música, com pequenas excessões, como klarinet e oboa. Começa que música é zene, daí Zeneakadémia. Piano é zongora, violino é hegedű, viola é brácsa, viloncelo é gordonka, contrabaixo é nagybőgő, e flauta é fuvola, trombone é harsona, percussão é ütés, e por aí vai…

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