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	<title>HungriaMania</title>
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	<description>espaço pra coisas ligadas à hungria, sobretudo literatura, língua e cultura em geral</description>
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		<title>HungriaMania</title>
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		<title>Ainda as águas turvas na política magiar</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 20:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros amigos, Este blog não nasceu para nem pretendia se tornar uma arena de discussão sobre a política na Hungria. Mas em vista das notícias nada alentadoras sobre o que vem acontecendo desde a eleição geral de 2010 &#8211; e &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2012/01/04/ainda-as-aguas-turvas-na-politica-magiar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1232&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros amigos,<br />
Este blog não nasceu para nem pretendia se tornar uma arena de discussão sobre a política na Hungria. Mas em vista das notícias nada alentadoras sobre o que vem acontecendo desde a eleição geral de 2010 &#8211; e que foi tema da entrevista de Nádas Péter, no último post &#8211; eu não tenho escolha a não ser abrir espaço para essas questões.<br />
O que se segue é o link para um texto de Gilles Lapouge, correspondente em Paris d&#8217;O Estado de São Paulo, publicado hoje:</p>
<p><strong>A Hungria e o Fascismo</strong></p>
<p>&#8220;Como se não bastassem os muitos problemas enfrentados por causa do desastre da zona do euro, eis que a União Europeia agora está com uma nova batata quente nas mãos. E grande. Um país inteiro. Trata-se da Hungria, que faz parte do bloco europeu e cujo primeiro-ministro, Viktor Orban, tem constantemente provocado Bruxelas.</p>
<p>Primeiro em seus discursos e, há alguns dias, por meio de novas leis, o governo de Orban, que representa a direita dura e autoritária da Hungria, vem manifestando um prazer doentio em violar espetacularmente todos os princípios da União Europeia, os quais todo o país que adere ao bloco deveria respeitar.&#8221;</p>
<p>Leia o artigo completo no site do <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-hungria-e-o-fascismo-,818281,0.htm">Estadão</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1232/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1232/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1232&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Para onde vai a Hungria? Fala Nádas Péter, escritor</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/10/26/para-onde-vai-a-hungria-fala-nadas-peter-escritor/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2011/10/26/para-onde-vai-a-hungria-fala-nadas-peter-escritor/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 19:31:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha primeira estadia na Hungria se deu exatamente uma década depois da queda do muro de Berlin e das mudanças políticas que chacoalharam o chamado Leste Europeu com o fim dos enferrujados regimes estabelecidos na região a partir do final &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/10/26/para-onde-vai-a-hungria-fala-nadas-peter-escritor/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1221&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha primeira estadia na Hungria se deu exatamente uma década depois da queda do muro de Berlin e das mudanças políticas que chacoalharam o chamado Leste Europeu com o fim dos enferrujados regimes estabelecidos na região a partir do final da Segunda Guerra Mundial sob a esfera de influência da finada União Soviética.</p>
<p>Uma coisa que percebi com o tempo &#8211; e que me causava tristeza &#8211; é que na arena política que se formou após a mudança do regime uma disputa ferrenha entre os dois partidos principais parecia impedir qualquer compromisso em favor de um projeto nacional que impulsionasse a sociedade húngara na direção de uma democracia verdadeira, não apenas formal, que produzisse transformações que beneficiassem a nação como um todo, e não apenas grupos próximos ao poder. Percebia já então um desprezo da pessoas amigas pela elite político-econômica magiar que me parecia prematuro, considerando o pouco tempo decorrido desde a mudança de regime.</p>
<p>Mais recentemente, nas eleições gerais de 2010, ventos mais preocupantes sopraram, com a eleição de uma maioria parlamentar formada pela direita tradicional, representada pelo partido <strong>Fidesz</strong>, mas completada com a ascensão de um partido de inspiração claramente xenofóbica e socialmente intolerante, conhecido como <strong>Jobbik</strong>.</p>
<p>São tensões antigas, sobre as quais já tratei <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/08/29/de-ciganos-violencia-e-arte-animada/"><strong>aqui</strong></a>, quando falei de ciganos, que se juntam a novos fatos econômicos e sociais. E sobre isso falou com muita propriedade o escritor <strong>Nádas Péter</strong> nesta entrevista que deu ao jornal alemão Die Zeit em abril de 2010.<br />
<strong><a href="http://www.signandsight.com/features/2019.html">Aqui</a></strong> o link para o original em inglês que me serviu de fonte para a tradução que fiz e transcrevo aqui, e que traz uma nota final sobre Nádas, para quem ainda não conhece esse mestre da prosa contemporânea magiar, que já foi citado em mais de uma ocasião quando se aproxima o anúncio do Prêmio Nobel de literatura.<br />
<div id="attachment_1222" class="wp-caption alignleft" style="width: 369px"><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/10/pen_peter_nadas_.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/10/pen_peter_nadas_.jpg?w=500" alt="" title="pen_peter_nadas_"   class="size-full wp-image-1222" /></a><p class="wp-caption-text">Nádas Péter</p></div></p>
<p>Quem desejar conhecer mais sobre Nádas Péter (e for leitor de inglês)pode conferir o <strong><a href="http://www.nytimes.com/2007/11/01/books/01nadas.html">perfil</a></strong> que apareceu no New York Times em 2007.</p>
<p>À entrevista:</p>
<p><em><strong>Sr. Nadas, has eleições na Hungria houve um triunfo da direita – isso é uma virada histórica?</strong></em><strong></p>
<p>Nádas Péter: Era de se prever que os populistas de direita do Fidesz conseguiriam formar uma maioria absoluta, mas o partido dos Jobbik, de ultra-direita, teve um pouco menos de votos do que se temia. Mesmo assim Orbán Viktor, líder do Fidesz, tinha razão quando se referiu à sua maioria absoluta como uma “grande transição” – mas num sentido diferente do que ele pretendia. O que estamos vendo agora estava em preparação há 15 anos. São as sementes de um sistema autoritário.</p>
<p><strong><em>Um em cada seis votos húngaros foi para o partido antissemita e xenofóbico dos Jobbik.</em></strong> </p>
<p>Sim, mas provavelmente pelos menos metade desses veio de eleitores inseguros e mutantes que corem atrás de populistas de qualquer cor. O problema da nossa esfera política pública é a ausência de uma classe-média estabilizadora. O desejo de estabilidade no nosso sistema nos leva a buscar uma mão forte. Isso favorece a quem promete mais. </p>
<p><strong><em>Os Socialistas, que foram apeados do poder na eleição e que perderam quase metade dos seus votos, também têm responsabilidade pelo que aconteceu?</em></strong></p>
<p>O que os Socialistas fizeram foi catastrófico. Durante oito anos do seu governo eles levaram o país numa trajetória em ziguezague. Todas as suas tentativas de reforma falharam, o orçamento nacional foi tão mal administrado que a Hungria foi afetada de maneira extremamente dura pela crise econômica mundial. Mas você não poderia nem chamá-los de um partido socialista. Eles não defendem mais princípios socialistas. Por trás da máscara de slogans socialistas se esconde um modelo autoritário. É o legado do regime de Kádár: um estado protetor que não tolera oposição. Além disso era um governo tomado pela corrupção, o que compromete os socialistas no poder.</p>
<p><strong><em>Isso não afetou todos os partidos políticos?</em></strong></p>
<p>A competição política degenerou numa luta pelo estado enquanto presa. Os socialistas pilharam o estado enquanto estiveram no poder. Mas os europeus devem evitar apontar o dedo procurando culpados. Porque a entrada na EU em 2004 só fez piorar as coisas, porque aí entrou o dinheiro da EU na jogada. O embate político-partidário se tornou apenas uma fachada de uma luta por dinheiro. Sem uma burguesia nacional a sociedade do Leste Europeu não pode se estabilizar. E é isso que eu entendo como a “grande transição” que estamos enfrentando agora. O primeiro round da tentativa da Hungria de alcançar os estados modernos da Europa falhou.</p>
<p><strong><em>A Europa podia ter feito alguma coisa para evitar que isso acontecesse?</em></strong></p>
<p>Ela deveria ter regulado politicamente o processo de privatização. Mas as grandes potências econômicas como França e Alemanha só se preocuparam com a atração de novos mercados – e, de acordo com o credo liberalista da época, elas não acreditavam que processo necessitasse de regulação. O governo húngaro ficou então basicamente administrando fundos que as grandes empresas estrangeiras passaram a pagar como impostos. Uma sociedade civil local de classe-média nunca foi criada.</p>
<p><strong><em>Como a Europa deve reagir em relação ao novo governo?</em></strong></p>
<p>É importante que se reconheçam os próprias erros. As grandes empresas alemãs e francesas se comportam como senhores coloniais na Hungria. São os únicos empregadores disponíveis e há uma carência de sindicatos de trabalhadores. Então ninguém deve se surpreender com a popularidade dos Jobbik quando pais de família desesperados estão sendo permanentemente dispensados de seus postos só para serem readmitidos em seguida sob condições piores. Os europeus não podem agora procurar a saída fácil de simplesmente se distanciarem desses verdadeiramente horrorosos neofacistas. Essas pessoas não nasceram assim.</p>
<p><strong><em>Há alguma coisa que Orbán realmente possa fazer na Hungria? Ou mesmo na EU, já que a Hungria deverá assumir em breve a presidência da EU?</em></strong></p>
<p>Incomoda-me que se fale da Europa sempre em termos tão solenes. Infelizmente achamos difícil imaginar a Europa com todos esses membros desagradáveis e incompletos. Faz muitos anos que Europa Ocidental não demonstra quase nenhum interesse pelo pobre e desinteressante Leste Europeu. E agora há a tentação de se afastar dele com desaprovação. Poderia ser uma lição valiosa para ambas as partes agora que essa mesma Hungria deverá presidir a UE – num momento em que tudo que ela quer é se fechar em si mesma. Certamente será altamente controverso. Orbán tem muito pouco espaço de manobra. O país está altamente endividado e precisando de reformas radicais – na educação, saúde e pensões. A burocracia está absurdamente inflada. Um terço da população vive à custa do estado. Precisamos da ajuda da Europa. Não virem as costas agora! Não precisamos de uma nova cortina de ferro. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1221/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1221/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1221&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Tibor Moricz : raízes magiares de um escritor brasileiro (+ um conto)</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/09/29/tibor-moricz-nome-magiar-de-um-escritor-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 05:22:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho quase certeza que foi um RT do amigo @lexdesouza que colocou o nome Tibor Moricz no meu radar. A &#8220;hungarice&#8221; óbvia do nome me chamou logo a atenção. Seguindo a pista do twitter fui em busca da pessoa por &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/09/29/tibor-moricz-nome-magiar-de-um-escritor-brasileiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1180&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/tibor.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/tibor.jpg?w=500" alt="" title=""   class="alignleft size-full wp-image-1181" /></a>Tenho quase certeza que foi um RT do amigo @lexdesouza que colocou o nome <strong>Tibor Moricz</strong> no meu radar. A &#8220;hungarice&#8221; óbvia do nome me chamou logo a atenção. Seguindo a pista do twitter fui em busca da pessoa por trás do nome. Feitas as primeiras descobertas, senti que era uma ótima oportunidade para o HungriaMania acolher &#8211; pela primeira vez num post exclusivo &#8211; um ilustre filho da diáspora magiar no Brasil.<br />
(O sobrenome em magyar é M<strong>ó</strong>ricz, com vogal longa&#8217;<strong>ó</strong>&#8216;, e se pronuncia Môôrits)</p>
<p>Propus algumas perguntas, que Tibor gentilmente topou responder, e sugeri que escolhesse um conto de sua lavra para presentear os olvasók (leitores) do blog. </p>
<p>Claro é que, muito antes de chamar minha desavisada atenção, Tibor Moricz já era e é figura sobejamente conhecida de muita gente boa Brasil afora. E não apenas como autor, mas também como comentarista e crítico de literatura de Ficção Científica, atividades que exerce no seu próprio espaço na teia, o <a href="http://esooutroblogue.wordpress.com/"><strong>É só outro blog</strong></a> &#8211; de nome excessivamente modesto.</p>
<p>Mas vamos à nossa breve entrevista:</p>
<p><strong>1. Qual sua conexão familiar com a Hungria?</strong></p>
<p>Meus pais nasceram e viveram na Hungria até o final da segunda grande guerra, quando então se juntaram a um grupo de refugiados e abandonaram tudo em busca de um lugar melhor e mais seguro para viver. Foram para a Venezuela onde ficaram alguns anos e depois vieram ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo, Capital, onde já os esperavam meus avós e tios. Tudo o que sei da Hungria vem das histórias que cresci ouvindo.</p>
<p><strong>2. Você e/ou alguém da família mantêm algum contato com parentes ou amigos na Hungria? E com a diáspora húngara no Brasil?</strong></p>
<p>As redes sociais aproximam todos nesse mundo enovelado pelas conexões virtuais. Assim, tenho conhecimento de parentes distantes que vivem na Hungria; primos e primas. O sobrenome Moricz é um poderoso indicativo de familiaridade. Onde há um Moricz, há um parente. Quando eu era criança meus pais, avós e tios se irmanavam dentro da colônia húngara. É natural que os iguais se procurem, que se esforcem em manter laços de proximidade, exercitando a culinária, a língua, mantendo viva a sua cultura. Mas com o passar dos anos foi acontecendo uma lenta e paulatina desagregação. Hoje eu não tenho nenhum contato com a colônia húngara.</p>
<p><strong>3. Você fala e/ou entende, lê, ou escreve magyarul?</strong> </p>
<p>Quando criança, antes de entrar na escola eu, segundo minha já falecida mãe (e segundo poucas recordações minhas), falava húngaro, que era a língua oficial dentro de casa, junto à família. Depois que comecei a estudar fui deixando o húngaro de lado e hoje não sei nada embora consiga entender o que dizem com razoável acuidade.</p>
<p><strong>4. Tem algum interesse ou conhece alguma coisa de literatura húngara?</strong></p>
<p>É curioso que, sendo escritor e sendo descendente de húngaros, jamais tenha demonstrado interesse pela literatura húngara. Conheço alguns nomes como Molnár Ferenc e Móricz Zsigmond, de quem li <em>Flor de Abandono</em>.</p>
<p><strong>5. Há alguma ligação familiar com o citado Móricz Zsigmond?</strong> </p>
<p>Móricz Zsigmond era meu tio-avô por parte de pai.</p>
<p><strong>(Nota: M.Zs., ilustríssimo tio-avô de Tibor, foi um grande mestre do realismo social na literatura húngara da 1ª metade do séc XX. Tem contos e um romance traduzidos no Brasil. Aguardem post específico)<br />
</strong><br />
<a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/peregrino5801.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/peregrino5801.jpg?w=500&#038;h=255" alt="" title="peregrino580" width="500" height="255" class="aligncenter size-full wp-image-1211" /></a><br />
6. <strong>Conversando tempos atrás com Puskás István, amigo magiar que é professor na Universidade de Debrecen e tradutor de italiano, perguntei-lhe especificamente sobre autores húngaros de Ficção Científica, pois tinha interesse em incluir alguma coisa numa pequena antologia de autores contemporâneos que venho preparando lentamente. Ele me disse que a Hungria não tem uma tradição em FC, como também não teve uma literatura gótica. Sabia disso (ou concorda)? E no seu caso, como nasceu a ligação com a FC?</strong></p>
<p>Não possuo conhecimento sobre a literatura húngara então me sinto desconfortável em falar sobre ela. Mas me parece que há, mesmo que insipiente (devemos levar em consideração que a FC brasileira, mesmo admitindo o recente “boom” do gênero, é relativamente insipiente, também), um fandom de Ficção Científica e Fantasia no país, embora desconheça o nível de importância que o gênero alcance por lá. Mas essa pergunta me deixou curioso. Tenho o contato de uma autora húngara de FC e vou entrevistá-la para conhecer mais a realidade deles.</p>
<p>Minha ligação com a FC foi meio casual. Decidi escrever profissionalmente há poucos anos quando li um livro de Stephen King (Saco de ossos) e o achei tão ruim que até eu conseguiria produzir algo melhor. Então mergulhei em vários exercícios literários, rabisquei inúmeros romances, a maioria inacabada, até que terminei meu primeiro livro: <em>Síndrome de Cérbero</em>.</p>
<p>Trata-se de um drama psicológico onde a FC entra como pano de fundo, uma ferramenta para intensificar os conflitos do protagonista. Em momento algum, enquanto o escrevia, me passou pela cabeça que estivesse construindo uma obra de FC. Foram membros do próprio fandom que me abriram os olhos. Mas, apesar disso, não me considero especificamente um escritor de FC. Sou um escritor, e só isso. O gênero não me define.</p>
<p><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/fome-tibor-m.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/fome-tibor-m.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" title="Fome Tibor M" width="200" height="300" class="alignright size-medium wp-image-1182" /></a><strong>7. O que você já produziu e publicou até agora?</strong></p>
<p>Dois romances: <em>Síndrome de Cérbero</em> (FC &#8211; JR Editora – 2007), <em>O Peregrino, em busca das crianças perdidas</em> (FC e Fantasia – Editora Draco – 2011) e <em>Fome, uma antologia fix-up distópica</em> (FC – Tarja Editorial – 2008). </p>
<p>Além desses, tenho contos publicados em <em>Contos Imediatos</em> (Editora Terracota – 2009), <em>Dieselpunk</em> (Editora Draco – 2011), <em>Imaginários 2</em> (Editora Draco – 2009) — coleção à qual fui um dos organizadores —, nas revistas virtuais Terra Incógnita (2008) Kaliopes (2008) e Machado (2010) e na revista Scarium (2009). Ainda em 2011 serei publicado em mais duas coletâneas.</p>
<p><strong>8. Já tem alguma coisa traduzida pra outra(s) língua(s)?<br />
</strong><br />
Infelizmente, não. Mas permaneço correndo atrás. Quem sabe para o húngaro?</p>
<p><strong>9. Que subgênero(s) da FC você prefere e/ou pratica?<br />
</strong><br />
Dedico-me à soft SciFi com abordagens humanistas. Utopias e Distopias. Recentemente me arrisquei no weird com um Weird Western (O Peregrino) e fui bem sucedido. Trafego por alguns subgêneros sem especificidade, mas sempre focando no homem que é de onde tudo sai e tudo volta.</p>
<p><strong>10. Situe o conto que você escolheu pra publicar no HungriaMania na sua produção.<br />
</strong><br />
Cibermetarealidade foi publicado pela primeira vez na coletânea Contos Imediatos da Editora Terracota em 2009. Trata-se muito mais de uma alegoria do que uma FC autêntica. Falo do próprio homem através de metáforas e de seu processo de descobertas pessoais. Abordo a filosofia como ferramenta evolutiva e a introspecção como prática necessária para o autoconhecimento. Foi considerado um conto memorável, à época, pelo jornalista e crítico Antonio Luiz M. C. Costa da revista Carta Capital.</p>
<p>Para quem quiser mais informações sobre Tibor Moricz e sua literatura há uma entrevista bem mais completa com ele no blog <a href="http://cilindroide.blogspot.com/2011/03/filho-de-hungaros-tibor-moricz-e-um.html">Cilindroide</a>.<br />
Agora, apertem os cintos e boa viagem:</p>
<p><strong>CIBERMETAREALIDADE</strong></p>
<p>O céu estava cinza chumbo. Parecia que ia chover. A cidade se avolumava e se recolhia, ora inchando, fazendo suas partes se multiplicarem numa velocidade vertiginosa, ora se esvaziando num frenesi metalomaníaco. As ruas rangiam, corrugando-se e distendendo-se, fazendo deslizar ou sacolejar os veículos que nela transitavam. Milhões e milhões de habitantes se moviam para lá e para cá, em constante atividade. Imensos como outeiros, mínimos como partículas infinitesimais. Construindo e destruindo sistematicamente.</p>
<p>Estamos imersos numa imensa megalópole, transpirando vida intensa e em constante renovação. O rugir de tratociberlimpadores recolhendo fragmentos das ruas e, às vezes, as próprias ruas, calçamentos e transeuntes desavisados. O vôo caótico e agitado de libemetatransportadoras, carregando peças metálicas, as mais diversas, para as mais diversificadas aplicações. O movimento nervoso e ininterrupto de aracnometacirurgiões, fazendo e refazendo constantemente, corrigindo, consertando, aplicando e retirando, responsáveis diretos pela manutenção física da urbe. </p>
<p>Bilhões vezes bilhões de nanociberconstrutores, responsáveis pela existência de tratociberlimpadores, libemetatransportadoras, aracnometacirurgiões e todas as outras formas autômatas, mecânicas e pulsantes, como os homociberperambuladores cuja função é caminhar de lá para cá, observando, alertando, apontando e aprendendo.<br />
Milhares de homociberperambuladores seguindo caminhos que conduzem a muitos lugares ou a lugar nenhum dentro da labiríntica cidade. Cabeça, corpo e membros em constante mutação. Movimentos sincrônicos executados por exércitos de minúsculos aracnometacirurgiões, que vão deslocando partes pequenas e grandes para possibilitar um erguer de sobrancelhas, um sorriso, um olhar. Bocas que se abrem exibindo dentes móveis, sustentados pelos diligentes artesãos. Vozes elaboradas por avançados sistemas vocais, tonalidades diversas, grossas ou moduladas, suaves mas sempre metálicas. Olhares de espanto, como se espantados estivessem com a constante mutação da cidade. Inteligências artificiais com o dom de aprender, interagir e responder a estímulos. Alguns comuns, sem atividade determinada a não ser existir; outros técnicos, em comunicação ininterrupta com as mais diversas formas automáticas e independentes de locomoção e trabalho da cidade, atuando no aprimoramento e no desmantelamento.<br />
*<br />
É nesse contexto caótico e ao mesmo tempo fascinante que encontramos o homociberperambulador número 2.456.678.014, categoria metaestratus arquiteto.  Em meio aos milhares de outros homociberperambuladores, destaca-se apenas pelo ligeiro ar de superioridade e duas dragonas metálicas rubras sobre os ombros, que escorregam um pouco pra lá, um pouco pra cá, na medida em que caminha, sempre observador, atento aos detalhes metamórficos da cidade. Não é o único a desempenhar a importante função de apontar defeitos estruturais nas construções. Assim como ele, centenas de outros perambulam executando o mesmo trabalho, às vezes repetindo as mesmas ordens, indicando os mesmos detalhes a serem corrigidos. </p>
<p>O arquiteto de número 2.456.678.014 olhou para o pulso, de onde um orifício foi rapidamente recortado. Dele surgiu um relógio cujos ponteiros apontavam para a mesma direção, o zênite da circunferência metálica lustrosa. O metaestratus balançou a cabeça, passou a língua áspera pelos lábios e deu as costas ao prédio que, apesar de todos os cuidados, ia soltando pequenos fragmentos de metal, dando trabalho a centenas de tratociberlimpadores menores que corriam pelo chão.</p>
<p>Estava na hora do almoço. E quando ela chegava, dava as costas ao que estava fazendo, fosse o que fosse, tivesse a importância que tivesse. Era um funcionário aplicado, mas obedecia cegamente aos horários determinados. E hora de almoço era hora de almoço. </p>
<p>Aracnometacirurgiões fizeram deslizar o relógio para dentro do pulso e soldaram em fração de segundos uma chapa metálica no orifício recentemente aberto. Outros fizeram o perambulador observar o céu. Outros o fizeram franzir o cenho. Outros apressaram as suas passadas. Outros ainda movimentaram seus braços, num ritmo intenso e constante, num vai e vem sincrônico às passadas. Muitos faziam os dedos se abrirem e fecharem, apertarem-se, crisparem-se.</p>
<p>Entrou no refeitório no mesmo instante em que desabou do céu uma chuva torrencial de limalhas, deixando loucos e furiosos os tratociberlimpadores que, na azáfama, devoravam mais do que elas. Atacavam-se uns aos outros e tudo aquilo que estivesse coberto pela chuva. Era um estardalhaço terrível, um matraquear absurdo. Tratociberlimpadores de diversos tamanhos avançavam, triturando a cidade. Aracnometacirurgiões eram devorados enquanto tentavam consertar os estragos e a si mesmos. A loucura demorou poucos minutos. A chuva torrencial terminou. A cidade estava impecavelmente organizada logo depois. A ordem retornara.</p>
<p>O perambulador arquiteto se sentou, cruzou as pernas – esmagando alguns aracnometacirurgiões que logo foram consertados por outros – e aguardou o atendente. Observava o local, analisava detalhes arquitetônicos, acompanhava as ondulações das paredes, onde placas grandes e pequenas de metal eram constantemente trocadas de posição, reorganizadas, realinhadas e sobrepostas. A cada nanosegundo, assumia uma aparência diversa. Impossível não observar pequenos erros assimétricos de justaposição. Era treinado para isso, aprendera a fazê-lo desde quando não passava de uma ínfima fagulha no âmago dos nanociberconstrutores. Mas não se imiscuiria. Era hora do almoço.</p>
<p>Aproximou-se um atendente. Olhar distante e sorriso frágil. Numa das mãos, uma chapa fina de metal. Na outra, um pontalete de titânio. O perambulador arquiteto solicitou um copo de limalha e uma porção sortida de petiscos de alumínio, ferro, aço e chumbo. Enquanto o atendente batucava o pontalete na chapa de metal, o perambulador arquiteto observou os aracnometacirurgiões realizando mudanças estruturais em seu ventre. Ele crescia, inchava, enrugava, coloria-se sob finíssimos jatos de tinta metalizada, depois era raspado e trocado. Não entendia a razão, nem o por que. </p>
<p>Logo os aracnometacirurgiões ampliaram a área de ação, expandindo o caótico consertar e desconsertar para todas as partes, pernas, braços, cabeça. O pontalete foi ao chão, num retinir. A chapa de metal se soltou da mão trêmula e caiu sobre a mesa. O perambulador arquiteto recuou a cadeira em que estava sentado, perplexo e angustiado.  </p>
<p>Aracnometacirurgiões perderam completamente a eficiência e o atendente, após algumas convulsões desabou no chão, esparramando-se por entre as mesas. Milhares de partes, juntamente com milhares de aracnometacirurgiões, quedaram-se numa imobilidade assustadora. Era a mais absoluta não-existência.</p>
<p>Um enxame de libemetatransportadoras entrou voando no refeitório. Davam rasantes, recolhendo do chão cada mínimo pedaço, já que lá dentro os tratociberlimpadores não podiam entrar. Carregaram tudo para fora. Os restos seriam utilizados para ampliar construções, implementar outros perambuladores ou alimentar os tratociberlimpadores, cuja função principal era criar matéria-prima para os nanociberconstrutores.<br />
Havia assistido a uma fragmentação espontânea. Eram incomuns e sempre chocantes. Provocavam nele perguntas para as quais não encontrava respostas. Dúvidas que não sabia dirimir. </p>
<p>Outro atendente se apressou a atendê-lo. Tomou nas mãos a chapa metálica de seu antecessor, observou o que já estava criptografado ali, e saiu, rápido, para providenciar o pedido antes que o cliente fosse embora, aborrecido.</p>
<p>O perambulador arquiteto ficou sozinho. A limalha lhe pareceu sem sabor, assim como os fragmentos de alumínio e ferro. O chumbo não tão delicioso. Mas cria que a falta de sabor advinha do evento recente. Seus aracnometacirurgiões perdiam tempo metabolizando o alimento e emprestando-lhe as sensações de sabor. Não queria gostar daquilo. Era-lhe estranho e repugnante que pudesse ter sensações agradáveis depois de ter assistido àquele espetáculo perturbador. Achava rotineiro ver toda a sorte de autômatos e IA’s serem engolidas acidentalmente por tratociberlimpadores e se transformarem em resíduo para os nanociberconstrutores. Era a ressurreição que pregavam. A transformação sem perda da consciência coletiva. Mas fragmentações estavam acima do seu entendimento. Elas implicavam num não-existir abrupto e inexplicável. Milhares de aracnometacirurgiões perdiam total funcionalidade em questão de segundos. Pane completa. Imobilidade absoluta. Não-automatismo imediato.</p>
<p>Isso lhe era incompreensível.</p>
<p>Saiu do refeitório imaginando que seria bom se tivesse bolsos para enfiar as mãos. No mesmo instante, bolsos lhe foram acrescidos. Enterrou as mãos neles, enfiou a cabeça entre os ombros, mergulhado em divagações, e pôs-se a andar, absorto, distraído de suas obrigações. Sentia ranger partes delicadas. Mas era mera sensação, atribuída, com certeza, ao friccionar dos aracnometacirurgiões em placas internas. Desagradava-lhe a impressão de não ser mais que um amontoado de peças, todas elas sustentadas por formas mecânicas auto-suficientes. Ver o atendente se desfazendo em milhares de partes, como uma forma oca, foi desnorteante. </p>
<p>Parou, olhou para o céu cinza-claro e procurou nele as respostas que queria. </p>
<p>“Penso, logo sou”, filosofou o perambulador arquiteto. Um amontoado de aracnometacirurgiões estreitou-lhe as pupilas de metal amorfo para protegê-las da luz, e o fizeram espremer os lábios, num ranger característico.</p>
<p>“Ou, tudo que sei é que nada sei&#8230;”, voltou a filosofar, olhando então para os pés chatos, planos, cobertos por dezenas de aracnometacirurgiões que aguardavam pacientes que ele voltasse a caminhar. Balançou a cabeça e imaginou que seria reconfortante ser tragado por um tratociberlimpador e vir a se transformar, através dos nanociberconstrutores, num poste, ou numa janela, ou numa centena de relês. Teria menos preocupações sinalizando um cruzamento ou abrindo fendas em paredes.</p>
<p>Era um perambulador arquiteto. Membro importante dessa sociedade mecanizada. Não lhe fora dito que deveria se preocupar com questões maiores, fora do foro prático onde estava apto a se conduzir. Que o âmago dos nanociberconstrutores, em toda a sua sabedoria, procurasse por respostas. A ele cabia trabalhar e trabalhar e trabalhar&#8230; Mais nada.</p>
<p>Mas não podia evitar em ir pensando, enquanto se dirigia a uma avenida, onde uma miríade de libemetatransportadoras esvoaçava. Erguia-se, ali, um arranha-céu de beleza imponente. Outras dezenas de perambuladores arquitetos apontavam as mãos para partes distintas da construção, enquanto milhões de aracnometacirurgiões iram metamorfoseando um outrora poste de luz numa torre elevadíssima. Vários tratociberlimpadores se movimentavam nervosos de um lado a outro, catando o que podiam, às vezes devorando os pés de perambuladores arquitetos distraídos.</p>
<p>Observou a majestosa construção.</p>
<p>Estava lá, diante dele, a soberba obra dos seus semelhantes. Isso era tudo o que podiam almejar: a perfeição. Foi quando sentiu um choque. Olhou para o lado e viu outro perambulador se afastando apressado. Dentro do bolso, uma chapa de metal. Fina e enrolada. Retirou-a e desenrolou-a. Antes que pudesse lê-la, ouviu exclamações de espanto. Procurou a causa e ficou atônito. Uma súbita tontura fez com que suas partes, todas elas, estremecessem, desfigurando-o por breves momentos. O perambulador que esbarrara nele caíra com espalhafato, espalhando-se numa desfragmentação imediata. Mais um. E em tão pouco intervalo de tempo!</p>
<p>Nervoso, voltou a enrolar a chapa metálica e enfiou-a no bolso novamente. Sentiu-se, súbito, como se fizesse parte de uma conspiração secreta. Era uma grande tolice, sabia disso, mas estava preocupado demais para usar o bom senso. Voltar as costas para a mega-construção e sair dali foi difícil. Rejeitar a própria programação era uma violência contra o âmago dos nanociberconstrutores. Mas precisava ir para longe desse atropelo. Assim, teria mais tranqüilidade para ler o conteúdo do que acreditava ser uma mensagem. Só podia ser uma mensagem. Claro. Que mais um perambulador apressado e cheio de preocupações poderia ter-lhe colocado no bolso? Mas uma mensagem pressupunha uma comunicação. E uma forma de comunicação que ia contra os ditames estabelecidos. Eles tinham que se comunicar um com o outro através de vocalização, ou por comunicação integrada à rede neural da cidade — alimentada que era pela vontade dos nanociberconstrutores.</p>
<p>Será que os nanociberconstrutores tinham conhecimento do que ocorria na cidade? Das desfragmentações? Das mensagens secretas que violavam a regras? Conhecimento de que ele estava se afastando de seus deveres? Até onde eram onipotentes e onipresentes?</p>
<p>Estava perturbado.</p>
<p>Caminhou acelerado, forçando cada um de seus aracnometacirurgiões aos limites. Ia de lábios contritos, olhar fixo no chão ondulante por onde caminhava. Seu corpo era movediço, ocupado na superfície e dentro dele pelos aracnometacirurgiões. Todos eles obedecendo às suas ordens mentais, seguindo o curso daquilo que queria e ordenava.</p>
<p>Agarrou a mensagem com força, sentindo a fina chapa de metal flexível ranger. Afastou-se o mais que pôde da civilização atribulada. Parou diante de um viaduto. Lá embaixo duas vias contrárias viam passar sobre o assoalho metálico uma infinidade de veículos autômatos conscientes. Todos eles com metas a cumprir. Objetivos grandiosos que requeriam dedicação absoluta ao todo. Assim como ele. Assim não como ele.<br />
Desenrolou a mensagem e a leu, trêmulo: </p>
<p>“.-//-..*.#..’\/-¬¬-*.-.-*//|¬=..\\\&#8211;/&#8212;//||&#8211;*##..“.-//-..*.#..’|¬=&#8211;/-.-*|&#8211;*#-//-..[[...//:..--¬\\||/...--][--..*’*’—”</p>
<p>Voltou a fechar a mensagem. Seus olhos se voltaram para muitos metros abaixo de onde estava. O frenesi do trânsito passava-lhe despercebido. O encriptado dizia coisas que jamais lera antes. Coisas que sempre temera pensar. Seu cérebro se via diante de um misterioso dilema. Uma verdade ou uma mentira?</p>
<p>“Não somos. Apenas estamos. Não existimos. Apenas nos situamos. A vida está além das elucubrações mecano-senscientes. Além dos nanociberconstrutores existe uma Inteligência Artificial mais poderosa, muito acima da nossa compreensão. A fragmentação é ressurreição numa vida plena onde, enfim, seremos e existiremos.”</p>
<p>Pela primeira vez sentiu os aracnometacirurgiões se agitarem além do normal. Como se algo além deles — além dele próprio — os incitasse a agir, ou reagir. Saiu do viaduto e voltou para a cidade. A consciência buscando a verdade. Pensou nos tratociberlimpadores e recordou que se imaginara saltando para dentro de um deles. Uma reciclagem que o livraria das divagações sem privá-lo da consciência coletiva. Mas se apenas isso pudesse mantê-lo vivo, dentro da mente de todos, na rede neural da cidade, numa corrente contínua de acordo com o âmago dos nanociberconstrutores, então o que era ele, afinal? Nada mais que partes sustentadas por funcionários eficientes. Até mesmo sua mente nada era senão uma extensão da vontade dos nanociberconstrutores.</p>
<p>E como a luz que se vê pela primeira vez, deu-se conta da verdade. E afogueou-se.<br />
Sentiu-se trôpego. Assustado. Medroso.</p>
<p>“Nada sou, nada sou, nada sou&#8230;”, repetia incessante de si para si.</p>
<p>Aracnometacirurgiões simularam, de acordo com a sua vontade, lágrimas metálicas a lhe escorrer pela face. Os olhos de metal amorfo umedeceram-se, tornando-lhe a visão turva. Não era água, pois que não a conheciam, mas um assoberbamento de metal líquido a engrossar suas finíssimas pupilas.</p>
<p>O perambulador arquiteto fraquejou. Voltou os olhos para cima e o que viu foi uma espessa camada metálica fazendo as vezes de céu. E, ao redor, uma pantomima descontrolada conduzida enlouquecidamente por minúsculas IA’s cuja função era reproduzir um ambiente de vida controlado. Um ambiente de vida falso.</p>
<p>“Não sou nada, não sou nada, não sou nada&#8230;”</p>
<p>Conseguiu meter a mensagem na mão de outro perambulador antes de desabar numa grande quantidade de partes inertes. Aracnometacirurgiões desligados. Fragmentação absoluta. Tratociberlimpadores se aproximaram rapidamente.</p>
<p>Em algum lugar uma IA maior e mais poderosa o assimilaria.</p>
<p>Acreditemos nisso, ou não.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1180/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1180&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Esti Kornél, herói &#8216;noturno&#8217; da literatura magiar</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/09/15/esti-kornel-um-heroi-literario-magyar/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 04:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Esti Kornél /Éshti Kornêêl/ é um protagonista, e espécie de alter-ego, de Kosztolányi Dezső, poeta, romancista, tradutor, editor e crítico literário, figura-chave da vida intelectual na Hungria da primeira metade do século XX, sobre quem já falei brevemente aqui. Seu &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/09/15/esti-kornel-um-heroi-literario-magyar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1142&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/esti-kornc3a9l-book-cover.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/09/esti-kornc3a9l-book-cover.jpg?w=500" alt="" title="Esti Kornél book cover"   class="alignleft size-full wp-image-1146" /></a>Esti Kornél /Éshti Kornêêl/ é um protagonista, e espécie de alter-ego, de Kosztolányi Dezső, poeta, romancista, tradutor, editor e crítico literário, figura-chave da vida intelectual na Hungria da primeira metade do século XX, sobre quem já falei brevemente <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/04/11/kolteszet-napja-hoje-e-dia-da-poesia-na-hungria/">aqui</a>.</p>
<p>Seu nome poderia ser traduzido em nordestinês como Cornélio Noitinha, pois Esti deriva de <strong>este</strong>, a parte inicial da noite, a &#8216;evening&#8217; do <em>angol</em> (a forma com <strong>-i</strong> final é adjetiva, como Natal<strong>i</strong>, significa natalense, por exemplo). E ele não terá esse nome por acaso. Num tributo a esse personagem marcante da magyar <strong>irodalom</strong> (literatura), Esterházy Péter (Flipa 2011) evoca Esti como &#8220;<em>um entardecer sombrio, um por-do-sol purpúreo, uma happy-hour, Esti é a luz declinante, Esti é uma brisa leve e uma conversa tranquila, uma taça de vinho companheira e uma prece solitária&#8230;</em>&#8220;</p>
<p>As histórias desse herói &#8216;noturno&#8217; apareceram reunidas inicialmente em um volume de 1933, chamado precisamente <em>Esti Kornél</em>. Aliás, foi descobrir (<a href="http://www.hlo.hu/news/dezso_kosztolanyi_kornel_esti">aqui</a>) o lançamento recente da edição em inglês que me fez decidir apresentá-lo aos leitores do blog.<br />
Mas a &#8220;vida&#8221; de Esti Kornél não se resumiu a esse primeiro volume. Kosztolányi continuou escrevendo narrativas breves protagonizadas pelo seu &#8220;duplo&#8221; ficcional, que eram publicadas em revistas e jornais da época, e só mais tarde &#8211; em muitos casos, apenas postumamente &#8211; foram reunidos em livros.</p>
<p>O conto que transcrevo abaixo, publicado no volume <strong>Esti Kornél Kalandjai</strong> (Aventuras de Esti Kornél), foi traduzido por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_R%C3%B3nai">Paulo Rónai</a> e incluído na sua fundamental, imprescindível, e nunca suficientemente elogiável <strong>Antologia do Conto Húngaro</strong>, à qual faz tempo me referi <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/05/30/suas-partes-obedecem-a-arte-o-fascinio-da-magyar-nyelv/">aqui</a>. (Corram à Estante Virtual!)</p>
<p>Na apresentação bio-literária que faz de Kosztolányi, Rónai nos adverte:</p>
<p><em>&#8220;Em nenhum dos cinco contos de Desidério Kosztolányi traduzidos para este volume &#8220;acontece&#8221; alguma coisa. No entanto, em todos eles se tem a sensação de algo transcendental, de abismos que andamos beirando, de janelas que se abrem de repente sobre mistérios que nos rodeiam desde sempre e que nunca percebemos.&#8221;</em></p>
<p>E esclarece mais adiante que &#8220;<em>foi Kosztolányi quem, pela primeira vez na literatura húngara, aproveitou em seus estudos de almas os resultados da psicanálise</em>&#8220;. </p>
<p>Eu não me atrevo a dizer mais nada. Melhor passarmos ao conto, pois não. </p>
<p><strong>O FARMACÊUTICO E ELE</strong></p>
<p>Numa noite quente de primavera, Esti Kornél, que devaneava ante a vidraça de uma farmácia de subúrbio, sentiu-se tomado de violenta tristeza à vista da pobreza deplorável daquela vitrina. O espetáculo cativou de tal forma a sua alma doentia que, durante muito tempo, não conseguiu arrancar-se do lugar.<br />
Nos arrabaldes, as livrarias vendem geralmente cadernos, borrachas e penas; as farmácias, escovas de dentes, pincéis para a barba, pomadas para o rosto. Em tais estabelecimentos se encontram amontoados numerosos produtos de beleza, como se o verdadeiro mal da humanidade não fossem as doenças, a legião dos achaques, mas sim a feiura.<br />
Aquela farmaciazinha, com seus letreiros luminosos que se apagavam e acendiam a cada segundo, recomendava dois artigos evidentemente produtos do próprio farmacêutico. Um dos anúncios repetia sem parar: “Xerxes acaba com a tosse mais obstinada”; o outro berrava para dentro da escuridão da rua: “Pó Afrodite contra a transpiração das mãos, dos pés e das axilas”.<br />
De compradores, porém, não havia nem sombra. Dentro da loja, um homenzinho baixo, insignificante, esperava sentado. Vestido de cinzento, de cabelos cinzentos, tinha um ar desanimado, frouxo, que lembrava um suicida na iminência de cometer o ato.<br />
Esti sentiu pena dele, e entrou.<br />
― Perdão ― balbuciou, olhando em redor. ― Não sei se o senhor terá algum produto contra tosse.<br />
― Pois não! ― disse o farmacêutico com um sorriso afável ― pois não!<br />
― Está certo ― interrompeu-o Esti com o dedo em riste. ― Mas a minha tosse não é de hoje. Resfriei-me muito no ano passado; desde então, por mais que faça, não paro de tossir. É uma tosse maligna, como direi? Durável&#8230;<br />
Parou como para procurar o termo exato, até que o encontrou:<br />
― Obstinada.<br />
― Xerxes ― disse o farmacêutico ― Xerxes.<br />
Pulou uma prateleira, e num abrir e fechar de olhos lhe chegava ao nariz o produto milagroso, encerrado numa vistosa caixinha.<br />
― Este acaba com a tosse?<br />
― Com a tosse mais obstinada ― replicou o outro, enquanto lá fora o letreiro bradava a mesma frase. ― Caixa pequena ou grande?<br />
― Bem, talvez a grande.<br />
― Que mais deseja V. Ex.ª? ― indagou o farmacêutico, enquanto embrulhava a mercadoria em papel cor-de-rosa.<br />
― Nada mais ― respondeu Esti com um gesto evasivo. Tinha uma prática enorme da representação de tais cenas.<br />
― Obrigado.<br />
Pagou e foi saindo.<br />
Ao por a mão na maçaneta, pareceu estacar, vacilar. Voltou-se. O farmacêutico aproximou-se dele:<br />
― Ordena mais alguma coisa?<br />
― Bem&#8230; isto é&#8230;  ― balbuciou Esti. ― É que nas mãos&#8230;<br />
― Já sei ― disse o farmacêutico, rápido como o relâmpago. ― Afrodite, sim senhor, Afrodite.<br />
― É de efeito certo?<br />
― É garantido.<br />
― Pois é, mas&#8230;<br />
― Para os pés também ― disse o farmacêutico, abaixando a voz e dando-lhe tom mais íntimo ― para os pés também.<br />
A tensão dramática chegou ao cúmulo. Esti fez como quem ainda não tivesse resolvido a compra por lhe haver surgido uma dúvida, como quem possui um segredo de família, sombrio e fatal, que ainda não confessou a ninguém. O farmacêutico sustentou-o, cochichando-lhe algumas palavras. Esti acenou, confesso e humilhado, mandando embrulhar uma caixa do outro produto também.<br />
Uma vez na rua, parou novamente diante da vitrina; mas o que ele contemplava agora era o farmacêutico. Estava este como eletrizado por ter encontrado precisamente o espécime da humanidade sofredor que unia em si milagrosamente todos os requisitos de que ele carecia. Andava lépido de um lado para outro, como quem vislumbra novos planos, e acendeu um charuto.<br />
Esti, ao passar vagarosamente pela ponte, atirou as duas caixinhas ao Danúbio sem o menor espalhafato, dizendo de si para si:<br />
― “Prolonguei-lhe a vida por um mês, pelo menos. Já que não consigo absolutamente consolar a mim mesmo, pelo menos consolarei a outros. É preciso restituir a essa gente a sua fé na vida, deixá-la viver. Um dos meus professores me aconselhava a não deixar passar nenhum dia sem praticar alguma boa ação. Dizia que só assim a gente dormia tranquila. Pois bem, vamos ver se hoje consigo dormir sem o luminal.”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1142/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1142&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Esti Kornél book cover</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>uma piada magyar / egy magyar vicc</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/16/uma-piada-magyar-egy-magyar-vicc/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/16/uma-piada-magyar-egy-magyar-vicc/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 04:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das coisas que recebi de Silvio Severino, sobre quem falei no post anterior, foi esta ótima piada, que é visual e ao mesmo tempo totalmente dependente da língua magyar: Como você, leitor esperto &#8211; ainda que não versado nos &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/16/uma-piada-magyar-egy-magyar-vicc/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1099&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas que recebi de <a href="http://www.silvioseverino.com/">Silvio Severino</a>, sobre quem falei no post anterior, foi esta ótima piada, que é visual e ao mesmo tempo totalmente dependente da língua magyar:</p>
<p><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/van_gogh_nincs_gogh.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/van_gogh_nincs_gogh.jpg?w=500&#038;h=390" alt="" title="van_gogh_nincs_gogh" width="500" height="390" class="aligncenter size-full wp-image-1100" /></a></p>
<p>Como você, leitor esperto &#8211; ainda que não versado nos segredos do magyar &#8211; já deve ter percebido, a chave da piada, que brinca com o nome do pintor famoso, está nas palavras <strong>van</strong> e <strong>nincs</strong>, já que o <strong>Gogh</strong> permanece nos dois quadros.</p>
<p>Pois é. <strong>Van</strong> /vonn/ é talvez a forma verbal mais utilizada na língua magiar, e uma das suas funções mais corriqueiras e insubstituíveis é afirmar ou perguntar se há, se existe, ou, no português brasileiro mais comum, se <strong>tem</strong> alguma coisa. Ao entrar numa loja na Hungria, por exemplo, o equivalente a um &#8220;Tem pão?&#8221; seria <strong>Van kenyér?</strong> /vonn kénhiêêr/. E se a resposta for positiva a pessoa da loja dirá apenas <strong>Van</strong>, &#8216;Tem&#8217;, ou então, <strong>Igen, van</strong> /iguenn vonn/,&#8217;Sim, tem&#8217;.</p>
<p>E se a brincadeira de transformar o <strong>Van</strong> de Van Gogh em &#8216;Tem&#8217; no primeiro quadro ficou clara, então se deduz, pois não, que no segundo quadro <strong>Nincs Gogh</strong> significa &#8216;Não tem Gogh&#8217;. E, de fato, <strong>nincs</strong> /nintch/ &#8211; ou, muito provavelmente, a variante <strong>nincsen</strong> &#8211; vai ser a resposta do nosso vendedor se não houver pão na loja. Mais polidamente ele poderá dizer <strong>nincsen, sajnos</strong> /nintch shóinósh/, &#8216;infelizmente, não tem&#8217;.</p>
<p>Vou parar por aqui hoje porque é tarde da noite e tenho sono. Mas o <strong>van</strong> e seus usos merecem bem mais do que isso. Quem sabe amanhã mesmo voltarei aqui pra falar mais disso. Viszlát!</p>
<p>PS: O título do post se pronuncia /édj módjór ví-ts/. O hífen marca uma sutil pausa, por causa da consoante dupla no final, como o italianos fazem ao dizerem /pi-tsa/.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1099/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1099/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1099&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>diversos + romkocsmák / bares-ruínas</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/02/varios-a-romkocsmak-os-bares-ruinas/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/02/varios-a-romkocsmak-os-bares-ruinas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 18:48:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz semanas que estou &#8220;num pé e noutro&#8221;, como se diz aqui no Nordeste, pra retomar o blog. De uma hora pra outra pra onde quer que eu me virasse dava de cara com alguma coisa ligada a Budapeste e &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/08/02/varios-a-romkocsmak-os-bares-ruinas/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1072&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1116" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_5664.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_5664.jpg?w=500&#038;h=243" alt="" title="_MG_5664" width="500" height="243" class="size-full wp-image-1116" /></a><p class="wp-caption-text">as fotos que ilustram este post foram cedidas gentilmente por http://www.silvioseverino.com</p></div>
<p>Faz semanas que estou &#8220;num pé e noutro&#8221;, como se diz aqui no Nordeste, pra retomar o blog. De uma hora pra outra pra onde quer que eu me virasse dava de cara com alguma coisa ligada a Budapeste e à Hungria em geral. Mas, com várias &#8220;distrações urgentes&#8221; acontecendo, só agora consegui aparecer.</p>
<p>Começou com umas dicas de Budapeste que preparei para <a href="https://twitter.com/#!/anamdo">Ana Oliveira</a> e <a href="http://deunstempospraca.blogspot.com/2011/07/budapeste-do-chico.html">Carmem Silvia</a>, amigas de twitter e grandes viajeiras, que estavam prestes a fazer o giro &#8220;Europa Central&#8221;, incluindo 3 dias na bela <strong>főváros</strong> /föö-váárósh/ (capital) magiar.</p>
<p>A saudade de repente apertou mais ainda quando um comentário aqui no blog me pôs em contato com um fotógrafo gaúcho com o belo nome de Silvio Severino, que mora atualmente em Budapeste, e cujo trabalho primoroso (inclusive uma seção dedicada à cidade) pode ser conferido <a href="http://www.silvioseverino.com/"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p>Atento explorador dos meandros budanos e pestenses, Silvio Severino me passou ótimas dicas de novidades via facebook, inclusive um site que reúne os <strong>romkocsmák</strong> de Budapeste. <strong>Kocsma</strong> /côtchmó/ quer dizer bar, boteco, <strong>kocsmák</strong> /côtchmáák/, como alguns devem ter deduzido pelo <strong>k</strong>, é o plural; e <strong>rom</strong> (com o <strong>r</strong> enrolado de &#8216;caro&#8217;, e <strong>m</strong> com lábios fechados no final, com se fosse dizer Roma e parasse antes do a) quer dizer, ruína, destroços, escombros. </p>
<p><div id="attachment_1123" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_5835.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_5835.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" title="_MG_5835" width="500" height="333" class="size-full wp-image-1123" /></a><p class="wp-caption-text">salão do Csendes /tchéndesh/, que quer dizer silencioso, calado, tranquilo...</p></div><br />
Os romkocsmák são, portanto, &#8220;bares-ruínas&#8221;, uma &#8220;instituição&#8221; húngara particularíssima, criação de jovens empreendedores, que aproveitam velhos edifícios, fábricas e/ou armazéns deteriorados durante os anos do &#8220;socialismo científico&#8221; e os transformam em bares e/ou restaurantes alternativos, aproveitando móveis velhos, tralha de todo tipo (até carcaça de carro velho), mas também arte contemporânea, iluminação bem-transada, grafitti, etc, criando assim espaços muito  eloquentes arquitetonicamente, porque integram vários momentos e aspectos da história da cidade, sem tentar maquiar o passado, ou criar pastiches à la Disneylândia ou Las Vegas, exemplos horrorosos e extremos que me ocorrem agora. </p>
<div id="attachment_1118" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_9855.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2011/08/mg_9855.jpg?w=200&#038;h=300" alt="" title="_MG_9855" width="200" height="300" class="size-medium wp-image-1118" /></a><p class="wp-caption-text">Fachada do Szimpla Kert</p></div>
<p>Descobri através do site que hoje eles são em muito maior número do que os que conheci minha última estadia em Budapeste. Quem tiver curiosidade, confira <a href="http://www.romkocsmak.hu/"><strong>aqui</strong></a>. Há uma versão <em>ininglish</em>, como verão.</p>
<p>Claro que alguns deles já viraram <em>point</em> turístico, e atraem não só público dito alternativo, mas visitantes de todos os tipos em busca de exotismo centroeuropeu. É o caso do <a href="http://ruinpubs.com/index.php?id=romkocsmak_adatlap&amp;kocsma=7"><strong>Szimpla Kert</strong></a> e do <a href="http://ruinpubs.com/index.php?id=romkocsmak_adatlap&amp;kocsma=8"><strong>Corvin Tető</strong></a>, por exemplo. Mas eles são espaços tão-tão bacanas que continuam merecendo nossas visitas. </p>
<p>Tenho outras coisas fervendo na cabeça sobre as quais quero escrever, novas descobertas no cinema húngaro, por exemplo. Além, claro, do prometida continuação do post anterior, sobre József Attila e o Tiszta Szívvel. Já adianto que esse poema causou sua expulsão da Universidade de Szeged. Mais detalhes depois. Sziasztok!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1072/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1072/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1072&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Tiszta Szívvel / De Coração Limpo</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/03/17/com-o-coracao-limpo-tiszta-szivvel/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2011 04:29:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Este post é oferecido a Nelson Ascher, grande poeta e tradutor de origem húngara, que em julho de 2009, depois de um encontro memorável em São Paulo, quando ele me honrou generosamente com uma tarde e noite de erudição e &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/03/17/com-o-coracao-limpo-tiszta-szivvel/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1035&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este post é oferecido a Nelson Ascher, grande poeta e tradutor de origem húngara, que em julho de 2009, depois de um encontro memorável em São Paulo, quando ele me honrou generosamente com uma tarde e noite de erudição e boa prosa sobre a cultura e a literatura dos magiares, me desafiou via email com a delicadeza dos cavalheiros:</p>
<p><em>&#8220;Tomo aqui a liberdade de lhe fazer uma pequena proposta, caso vc a tope, é claro: acho que todo e qquer tradutor de poesia húngara deve, pelo menos uma vez na vida, arriscar sua própria versão do Tiszta Szívvel do József Attila &#8212; e eu gostaria de ver a sua.&#8221;<br />
</em></p>
<p>Embora confessadamente intimidado pelo calibre do desafiador e da tarefa, eu resolvi tentar a parada, ainda que sabendo de antemão que o resultado estaria fatalmente muito aquém do padrão de tradução que Nelson costuma nos presentear, como foi o caso, para dar apenas um exemplo, de <em>Poesia Húngara Moderna</em>, uma seleção de poetas e poemas fundamentais do século XX magiar publicada também naquele inverno de 2009 no número 3 da revista Dicta&amp;Contradicta, e que se pode conferir <a href="http://www.dicta.com.br/edicoes/edicao-3/poesia-hungara-moderna/">aqui</a>.</p>
<p>Segue-se o original mais minha versão pobrinha e tosca dessa jóia rara e abusada do gênio de vida breve e trágica que foi József Attila. Depois, um video com o poema declamado e também cantado.</p>
<p>Prometo trazer depois mais informações sobre o papel que este poema radical teve na vida do jovem József Attila. Quero aproveitar também para tentar &#8216;dissecar&#8217; o poema do ponto de vista da língua porque ele permite entendermos uma porção de coisas sobre o magiar. Sinto que vai dar outro post.</p>
<p>TISZTA SZÍVVEL</p>
<p>Nincsen apám, se anyám,<br />
se istenem, se hazám,<br />
se bölcsőm, se szemfedőm,<br />
se csókom, se szeretőm.</p>
<p>Harmadnapja nem eszek,<br />
se sokat, se keveset.<br />
Húsz esztendőm hatalom,<br />
húsz esztendőm eladom.</p>
<p>Hogyha nem kell senkinek,<br />
hát az ördög veszi meg.<br />
Tiszta szívvel betörök,<br />
ha kell, embert is ölök.</p>
<p>Elfognak és felkötnek,<br />
áldott földdel elfödnek<br />
s halált hozó fű terem<br />
gyönyörűszép szívemen.</p>
<p>DE CORAÇÃO LIMPO (com o coração limpo/puro, traduzindo literalmente)</p>
<p>Sou sem pai e sou sem mãe,<br />
sem deus, sem pátria também,<br />
sou sem berço e sem mortalha,<br />
beijo ou amor, vivo sem.</p>
<p>Três dias faz que não como,<br />
nem muito, nem muito pouco.<br />
Vinte anos são meu poder,<br />
vinte anos hei de vender.</p>
<p>Se ninguém for precisar,<br />
o demônio há de comprar.<br />
E com o peito imaculado<br />
roubo e, se preciso, mato.</p>
<p>Serei preso e enforcado,<br />
com terra santa tapado<br />
e ervas mortais brotarão<br />
no meu lindo coração.</p>
<p>Aqui, dito na voz do ator Latinovits Zóltan, e cantado pela banda de rock Kex Együttes, que existiu de 1969 a 1971. Quanto à estranha escrita que aparece no vt, trata-se de um alfabeto hungárico antigo, sobre o qual quem lê inglês pode aprender <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Old_Hungarian_script">aqui.</a><br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/03/17/com-o-coracao-limpo-tiszta-szivvel/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pLY1HPLY4yU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1035/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1035/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1035&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>voltando a József Attila</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/02/24/voltando-a-joszef-attila/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2011/02/24/voltando-a-joszef-attila/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 22:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hungaromania.wordpress.com/?p=1008</guid>
		<description><![CDATA[hoje, não sei bem por quê, voltei ao poema &#8216;reménytelenül&#8217;, de József Attila, tentando burilar um pouco a tentativa de tradução que fiz e até já apareceu aqui. Confesso que não fico muito feliz com a tradução literal do título &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/02/24/voltando-a-joszef-attila/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1008&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>hoje, não sei bem por quê, voltei ao poema &#8216;reménytelenül&#8217;, de József Attila, tentando burilar um pouco a tentativa de tradução que fiz e até já apareceu <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/03/22/joszef-attila-magyar-kolto-fundamental/">aqui</a>. </p>
<p>Confesso que não fico muito feliz com a tradução literal do título como &#8216;desesperançadamente&#8217;, que tem uma carga negativa maior do que me parece ter no original. O poema tem algo de docemente conformado com o pouso do coração &#8216;no galho do nada&#8217; na estrofe que, ao fechá-lo, define o tom do poema. Ou assim me parece.</p>
<p>Examinar o título original nos dá a oportunidade de entender mais alguma coisa sobre o magiar. A palavra se compõe de 3 partes: <strong>remény-telen-ül</strong>. Pra entender <strong>remény</strong>, vejamos o verbo <strong>remél</strong> /rémêêl/, que significa ter esperança, antecipar, confiar que alguma coisa vai acontecer.<br />
O equivalente magiar do nosso <em>tomara!</em>, por exemplo, é <em>remélem!</em>, que é o verbo conjugado na primeira pessoa.<br />
<strong>Remény</strong>  /rémêênhi/ é o substantivo correspondente, significa esperança, antecipação, confiança, fé em algo vir a acontecer. </p>
<p>O sufixo <strong>-talan/-telen</strong> (qual das duas formas usar depende da qualidade fonética da vogal principal da raiz à qual o sufixo se acopla) indica &#8216;ausência de&#8217;, funciona como o <em>-less</em> do inglês em jobless, &#8216;sem emprego&#8217;, clueless, &#8216;sem noção&#8217;, por exemplo. Portanto <strong>reménytelen</strong> = sem esperança. </p>
<p>Já o sufixo <strong>-ul</strong>/<strong>-ül</strong> refere-se ao modo ou estado em que alguma coisa se dá ou se encontra, equivale mais ou menos ao nosso <em>-mente</em> em <em>descuidadamente</em>, por exemplo. Marca o advérbio de modo, pros que curtem a terminologia gramatical.<br />
Então reménytelen<strong>ül</strong> = de uma maneira, ou num estado sem esperança, de maneira desesperançada, donde &#8216;desesperançadamente&#8217;. </p>
<p>Curiosamente, esse sufixo também é usado quando se diz que alguém fala (ou não) uma língua: nem beszélek magyar<strong>ul</strong> = não falo magiar, ou não falo &#8216;à maneira&#8217; magiar; beszélsz portugálul? = tu falas português (à portuguesa)?</p>
<p>Variações com &#8216;l&#8217; no final formam adverbios em geral: jó = bom; jól = bem; rossz = ruim: rosszul = mal, e por aí vai.</p>
<p>Voltando ao poema, fiquei muito contente de ver esta nova versão aparecer também em sites de amigos generosos, na coluna &#8216;poesia&#8217; do <a href="http://www.substantivoplural.com.br/">Substantivo Plural</a>, e no excelente <a href="http://www.imaginariopoetico.com.br/2011/02/attila-jozsef-desesperancadamente.html">Imaginário Poético.</a></p>
<p>DESESPERANÇADAMENTE (1933)</p>
<p>O homem afinal alcança<br />
triste, plana, úmida areia,<br />
olha em torno pensativo e,<br />
prudente, só assente, nada espera.</p>
<p>Eu também procuro assim olhar<br />
em torno suavemente, sem engano.<br />
Argento sussurro de foice<br />
brinca entre as folhas dum álamo. </p>
<p>No galho do nada pousa meu coração,<br />
seu pequeno corpo mudo treme.<br />
As estrelas se chegam e o cercam<br />
assistindo, assistindo mansamente. </p>
<p>aqui o original:</p>
<p>REMÉNYTELENÜL</p>
<p>Az ember végül homokos<br />
Szomorú, vizes síkra ér,<br />
Szétnéz merengve és okos<br />
Fejével biccent, nem remél.</p>
<p>Én is így probálok csalás<br />
Nékul szétnézni könnyedén.<br />
Ezüstös fejszesuhanás<br />
Játzik a nyárfa levelén.</p>
<p>A semmi ágán ül szivem,<br />
Kis teste hangtalan vacog,<br />
Köréje gyűlnek szeliden<br />
S nézik, nézik a csillagok. </p>
<p>aqui podem desfrutar mais uma vez da sonoridade do poema em magiar, com a voz do grande ator Latinovits Zoltán (1931-1976):<br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/02/24/voltando-a-joszef-attila/"><img src="http://img.youtube.com/vi/mj95t5ALAGQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/1008/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/1008/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=1008&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Os números do blog em 2010</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2011/01/29/os-numeros-de-2010-no-hungriamania/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2011/01/29/os-numeros-de-2010-no-hungriamania/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 01:42:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hungaromania.wordpress.com/?p=994</guid>
		<description><![CDATA[Seguem-se algumas estatísticas que recebi referentes ao desempenho do blog no ano passado. O texto foi produzido pela wordpress: Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2011/01/29/os-numeros-de-2010-no-hungriamania/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=994&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>				Seguem-se algumas estatísticas que recebi referentes ao desempenho do blog no ano passado. O texto foi produzido pela wordpress:</p>
<p>Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:</p>
<p align="center"><img style="border:1px solid #ddd;background:#f5f5f5;padding:20px;" src="http://s0.wp.com/i/annual-recap/meter-healthy4.gif" width="250" height="183" alt="Healthy blog!"></p>
<p align="center">O <em>Blog-Health-o-Meter&trade;</em> indica: Este blog está em brasa!.</p>
<h2>Números apetitosos</h2>
<p>			<a href="http://hungaromania.files.wordpress.com/2009/02/cimg3849.jpg"><img src="http://hungaromania.files.wordpress.com/2009/02/cimg3849.jpg?w=288" alt="Imagem de destaque" style="max-height:230px;float:right;border:1px solid #ddd;background:#fff;margin:0 0 1em 1em;padding:6px;" /></a></p>
<p>Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros.  Este blog foi visitado cerca de <strong>7,900</strong> vezes em 2010.  Ou seja, cerca de 19 747s cheios.</p>
<p>
<p>In 2010, there were <strong>6</strong> new posts, growing the total archive of this blog to 36 posts. Fez <em>upload</em> de <strong>5</strong> imagens, ocupando um total de 2mb. </p>
<p>The busiest day of the year was 3 de janeiro with <strong>72</strong> views. The most popular post that day was <a style="color:#08c;" href="http://hungaromania.wordpress.com/about/">ki lennék én? / quem sou?</a>.</p>
<p></p>
<h2>De onde vieram?</h2>
<p>Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram <strong>twitter.com</strong>, <strong>search.conduit.com</strong>, <strong>mfa.gov.hu</strong>, <strong>google.com.br</strong> e <strong>megvilagosodas.blogspot.com</strong></p>
<p>Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por <strong>gojko mitic</strong>, <strong>nomes hungaros</strong>, <strong>ulzana</strong>, <strong>sopron</strong> e <strong>pécs</strong></p>
<div style="clear:both;"></div>
<h2>Atracções em 2010</h2>
<p>Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">1</div>
<p>					<a style="margin-right:10px;" href="http://hungaromania.wordpress.com/about/">ki lennék én? / quem sou?</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">fevereiro, 2009</span><br />28 comentários											</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">2</div>
<p>					<a style="margin-right:10px;" href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/09/21/goijkomitics-heroi-pelevermelha-dos-tempos-do-comunismo/">&#8216;Goijkómitics&#8217; : herói pele-vermelha dos tempos do comunismo</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">setembro, 2009</span><br />6 comentários											</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">3</div>
<p>					<a style="margin-right:10px;" href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/02/20/nomes-invertidos/">nomes invertidos</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">fevereiro, 2009</span><br />1 comentário											</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">4</div>
<p>					<a style="margin-right:10px;" href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/04/01/kodaly-zoltan-um-mestre-magiar-da-musica/">Kodály Zoltán, mestre da música </a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">abril, 2009</span><br />5 comentários											</p>
<div style="clear:left;float:left;font-size:24pt;line-height:1em;margin:-5px 10px 20px 0;">5</div>
<p>					<a style="margin-right:10px;" href="http://hungaromania.wordpress.com/2009/08/14/euclydes-da-cunha-e-marai-sandor/">Euclydes da Cunha e Márai Sándor</a> <span style="color:#999;font-size:8pt;">agosto, 2009</span><br />2 comentários											</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/994/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/994/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=994&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Szeretlek &#8211; amar em magiar</title>
		<link>http://hungaromania.wordpress.com/2010/08/01/szeretlek-amar-em-magiar/</link>
		<comments>http://hungaromania.wordpress.com/2010/08/01/szeretlek-amar-em-magiar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 01:14:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Moreira Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hungaromania.wordpress.com/?p=985</guid>
		<description><![CDATA[Eita, quanto tempo faz. Os caminhos recentes da vida não têm passado por aqui nos últimos meses, sajnos /shóinosh/ (infelizmente). Mas uma novidade me animou a voltar. Acabei de saber que a Hedra está lançando um livro de contos húngaros, &#8230; <a href="http://hungaromania.wordpress.com/2010/08/01/szeretlek-amar-em-magiar/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=985&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eita, quanto tempo faz. Os caminhos recentes da vida não têm passado por aqui nos últimos meses, sajnos /shóinosh/ (infelizmente). Mas uma novidade me animou a voltar. Acabei de saber que a Hedra está lançando um livro de contos húngaros, traduzidos por Paulo Schiller. Brevemente devo receber um pelo correio, graças à gentileza do tradutor e da editora, aí pretendo comentar com mais propriedade. </p>
<p>Por enquanto deixo você com esse curioso guia multilígue da frases de amor. Como verão, a gata quer ensinar uns agrados românticos básicos aos quem têm amores magiares. De quebra, revisa-se um pouco de love em idiomas mais conhecidos.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://hungaromania.wordpress.com/2010/08/01/szeretlek-amar-em-magiar/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hzXv9g2kyVQ/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Abraço, e até breve, remélem /rémêêlem/ (espero)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/hungaromania.wordpress.com/985/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/hungaromania.wordpress.com/985/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=hungaromania.wordpress.com&amp;blog=6649096&amp;post=985&amp;subd=hungaromania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</channel>
</rss>
