Uma das coisas que recebi de Silvio Severino, sobre quem falei no post anterior, foi esta ótima piada, que é visual e ao mesmo tempo totalmente dependente da língua magyar:
Como você, leitor esperto – ainda que não versado nos segredos do magyar – já deve ter percebido, a chave da piada, que brinca com o nome do pintor famoso, está nas palavras van e nincs, já que o Gogh permanece nos dois quadros.
Pois é. Van /vonn/ é talvez a forma verbal mais utilizada na língua magiar, e uma das suas funções mais corriqueiras e insubstituíveis é afirmar ou perguntar se há, se existe, ou, no português brasileiro mais comum, se tem alguma coisa. Ao entrar numa loja na Hungria, por exemplo, o equivalente a um “Tem pão?” seria Van kenyér? /vonn kénhiêêr/. E se a resposta for positiva a pessoa da loja dirá apenas Van, ‘Tem’, ou então, Igen, van /iguenn vonn/,’Sim, tem’.
E se a brincadeira de transformar o Van de Van Gogh em ‘Tem’ no primeiro quadro ficou clara, então se deduz, pois não, que no segundo quadro Nincs Gogh significa ‘Não tem Gogh’. E, de fato, nincs /nintch/ – ou, muito provavelmente, a variante nincsen – vai ser a resposta do nosso vendedor se não houver pão na loja. Mais polidamente ele poderá dizer nincsen, sajnos /nintch shóinósh/, ‘infelizmente, não tem’.
Vou parar por aqui hoje porque é tarde da noite e tenho sono. Mas o van e seus usos merecem bem mais do que isso. Quem sabe amanhã mesmo voltarei aqui pra falar mais disso. Viszlát!
PS: O título do post se pronuncia /édj módjór ví-ts/. O hífen marca uma sutil pausa, por causa da consoante dupla no final, como o italianos fazem ao dizerem /pi-tsa/.

Szia Chico!
Obrigado pelo post. Aprendi mais uma palavra magyar e, de quebra, me diverti com a vicc.
Estudo todos os dias e tenho me surpreendido com a lógica da morfologia da bela magyar nyelv. De vez em quando arrisco falar uma frase (p. ex. Viszaterek kesőbb. Tornaterembe megyek.).
Além disso estou lendo aquele livro de contos húngaros, além de estar de olho em algumas obras de Márai Sándor.
Köszönöm a post!
Minden jót!
Helio
kedves Helio, nagyon ügyes vagy!
Um visitante como você vai alegrar muito os magiares, lhe garanto.
Qual dos livros de contos vc está lendo?
abraço
Szia, kedves Chico!
Köszönöm a dícsétret
Estou lendo o “Contos Húngaros” traduzido pelo Paulo Schiller. O prefácio é muito bom, aos poucos vou me interando da história e da cultura da Hungria. Muito bem escrito o conto “O Louco de Abril”.
Viszlát,
Helio